Obras da operação tapa-buraco na BR-476 não surtem efeito

O Programa Emergencial de Trafegabilidade e Segurança nas estradas, lançado há poucos meses pelo governo federal, e que ficou popularmente conhecido como operação tapa-buraco, não serviu para resolver os problemas da BR-476, entre os municípios da Lapa e União da Vitória. Nos dois sentidos da rodovia o asfalto está em péssimo estado de conservação, e os buracos que já foram tapados começam a aparecer novamente.

"O risco de acidente é grande, principalmente no período da noite quando fica mais difícil ver os buracos, e para quem não conhece muito bem a estrada. Quem quer chegar com vida a seu destino precisa andar devagar e com muita cautela", afirma o caminhoneiro Olívio Ramos Ricolli, que vive em São Paulo e passa com freqüência pela BR-476.

Na opinião do também caminhoneiro Cláudio Piconi, que mora no Rio Grande do Sul, apenas tapar os buracos da estrada é um desperdício de dinheiro público. "Os políticos deveriam pegar um caminhão e dirigir entre Lapa e União da Vitória para sentir o nosso drama. O remendo que foi feito não adiantou nada, já está tudo afundando novamente. Os buracos estão voltando a aparecer e as vias estão repletas de ondulações", comenta. O resultado da falta de um trabalho definitivo de conservação são veículos quebrados e muitos pneus furados. O borracheiro Aldo Bernardo, que trabalha na margem da BR-476, dentro do município da Lapa, conta que atende diariamente entre cinco e seis veículos (entre carros, ônibus e caminhões) com problemas. Em geral, são caixas de câmbio quebradas, rolamentos danificados, pneus estourados, entre outros defeitos que impedem os motoristas de seguir viagem.

"Atendo os clientes 24 horas e não notei redução do movimento em meu estabelecimento desde que a operação tapa-buraco foi realizada. O asfalto da BR-476 continua todo arrebentado e sem condições de trafegabilidade. O governo tapou só os buracos grandes, sendo que os pequenos continuam presentes. Os motoristas estão reclamando muito e esperam uma solução eficaz. Fico assustado com o risco que eles correm", diz Aldo.

Imperfeição

O coordenador do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT), David Gouvêa, admite que a 476 não está em perfeita condição e explica que os serviços de tapa-buraco foram uma solução emergencial encontrada para proporcionar condições mínimas de trafegabilidade em um curto período de tempo. "O trecho entre Lapa e União da Vitória estava intransitável e o Programa de Trafegabilidade e Segurança serviu para que as pessoas pudessem voltar a circular com alguma segurança pelo local. Porém, temos um projeto de restauração definitiva cujo edital de licitação das obras deve ser lançado até o final do próximo mês de agosto", explicou. 

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