O Paraná poderá ganhar um novo autódromo nos próximos anos. A estrutura está prevista para ser construída em Maringá, no Noroeste do estado, e terá um projeto assinado por Hermann Tilke, arquiteto alemão reconhecido mundialmente por projetar e modernizar circuitos da Fórmula 1 em países como Emirados Árabes e Estados Unidos.
A proposta vem sendo discutida desde 2022. No ano seguinte, o empreendimento foi incorporado ao Plano Municipal de Turismo 2024-2033 de Maringá e, posteriormente, passou a integrar o Plano Municipal de Aceleração Econômica em 2024.
O projeto prevê um complexo multifuncional voltado tanto ao automobilismo quanto ao entretenimento. Além da pista principal, o espaço deverá contar com uma arena para shows e grandes eventos culturais. O traçado está sendo desenvolvido para obter a homologação FIA Grau 2, certificação internacional que permite receber importantes categorias nacionais e internacionais do automobilismo.
Com essa classificação, o futuro autódromo poderá sediar competições como Stock Car, Fórmula Truck, Porsche Cup e outras categorias de destaque, além de receber testes e atividades relacionadas à Fórmula 1. Para sediar Grandes Prêmios oficiais da principal categoria do automobilismo mundial, no entanto, seria necessária a homologação FIA Grau 1.

Automobilismo pode ganhar novo capítulo
Referência nacional do automobilismo, em 2022, o estado perdeu uma de suas principais praças esportivas com a demolição do Autódromo Internacional de Curitiba, em Pinhais. O circuito encerrou as atividades em 2021 e deu lugar a um projeto para um empreendimento imobiliário. Desde então, apenas os autódromos de Londrina e Cascavel permaneceram como estruturas aptas a receber competições de maior porte no estado.
A proposta de implantação do novo complexo partiu do Núcleo Setorial de Automobilismo da Associação Comercial e Empresarial de Maringá (ACIM). Segundo a Prefeitura de Maringá, a ideia é transformar o autódromo em um vetor de desenvolvimento econômico regional. A iniciativa deve atrair investimentos ligados à indústria automotiva, especialmente nos segmentos de autopeças e tecnologias para mobilidade elétrica..
O modelo previsto para viabilizar a obra combina participação pública e privada. Os empresários envolvidos no projeto serão responsáveis pelo custeio do anteprojeto e dos estudos preliminares necessários para a licitação. Após essa etapa, a execução poderá ocorrer com recursos públicos e gestão privada por meio de concessão ou parceria público-privada (PPP).
O deputado federal Ricardo Barros (PP), que participa das articulações em Brasília, afirma que a mobilização da iniciativa privada é fundamental para viabilizar o empreendimento.
“Neste momento, o trabalho de articulação em Brasília visa pavimentar o caminho e criar o ambiente propício para a apresentação do projeto. Nosso objetivo é garantir que o projeto seja uma base sólida para a execução de um empreendimento capaz de impulsionar o turismo e a geração de renda em Maringá e região”, afirmou à reportagem.
Falta de área quase inviabilizou o empreendimento
Apesar de já estar previsto nos planos municipais, o projeto chegou a enfrentar dificuldades para sair do papel. Em 2024, a Prefeitura de Maringá informou que não possuía uma área adequada para receber um empreendimento com as dimensões exigidas por um autódromo internacional. Na época, estudos conduzidos pela Secretaria Municipal de Mobilidade analisaram diferentes alternativas.
Um dos terrenos avaliados ficava no parque industrial Felizardo Meneguetti, mas acabou descartado por conter uma área de mata em recuperação protegida por lei. Outra opção, próxima ao complexo penitenciário da cidade, também não atendeu aos critérios técnicos em razão das características topográficas e da destinação da área.
Posteriormente, uma nova solução foi encontrada. Em nota enviada à Tribuna do Paraná, a Prefeitura informou que o terreno atualmente reservado para o projeto está localizado na divisa entre Maringá e Paiçandu, atrás do complexo penitenciário.
A área integra o patrimônio municipal e possui aproximadamente 1 km², sendo considerada a maior área pública disponível no município. O espaço também está inserido em uma região estratégica para futuras obras de infraestrutura, incluindo a ampliação do complexo penitenciário e a implantação do Contorno Sul Metropolitano.
Segundo a Prefeitura, o empreendimento ainda está em fase preliminar. “Neste momento, o projeto encontra-se em fase de captação de recursos por parte da Acim e nenhum investimento foi realizado no local”, informou a administração municipal.
Ao longo do avanço do projeto, os responsáveis vão obter as licenças ambientais, autorizações legais e estudos técnicos de viabilidade nas próximas etapas do processo, conforme exigem a legislação vigente e os órgãos competentes.
