Reunião no gabinete do prefeito Cassio Taniguchi
sobre o reajuste das passagens.

A novela do reajuste da tarifa da Rede Integrada de Transporte (RIT), que serve Curitiba e treze municípios da Região Metropolitana (RMC), terá mais um capítulo hoje, talvez o último. Uma nova reunião foi marcada para as 16h entre o prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi, os representantes da Região Metropolitana e o secretário de Estado Especial para Assuntos Metropolitanos, Edson Luiz Strapasson.

Na tarde de ontem, durante o primeiro encontro entre Taniguchi e os demais prefeitos, a Urbs apresentou a planilha de custos que resultou no cálculo do reajuste da tarifa. Para Cássio, dificilmente o valor de R$ 1,65 da tarifa será mantido. O prefeito afirmou que, devido aos custos apresentados pela Urbs, o reajuste deve ser realizado para que a RIT continue funcionando normalmente.

Segundo a explicação do gerente de operações da Urbs, Luiz Filla, o valor da nova tarifa está sendo calculada mediante a somatória de todos os custos que fazem parte da planilha. De acordo com Filla, o aumento na tarifa deve acontecer por causa de cinco itens: custo de pessoal, aumento de 47%; peças e acessórios dos veículos, de 11%; lubrificação e rodagem, de 3%; combustível, de 24%; e custos de capital, de 15%. A renovação da frota de 2003 também fez com que o aumento da tarifa fosse maior do que o esperado. “Como atendemos toda a região metropolitana, a cada ano o número de passageiros e de veículos aumenta. E, se não realizamos as mudanças necessárias, os problemas começam a aparecer”, explicou Filla.

Os prefeitos da RMC concordaram com a explicação da entidade, mas ainda esperam um posicionamento da Secretaria de Estado Especial para Assuntos Metropolitanos, que também recebeu a planilha da Urbs, e realizou as análises sobre os custos apresentados. “Sabemos que os valores são altos, mas queremos ter uma explicação do secretário, antes de emitir qualquer opinião. A única certeza é que vamos continuar apoiando a RIT”, assegurou o prefeito de Fazenda Rio Grande, Antônio Wandscheer (PPS).

Desintegração

Sobre a possibilidade de diferenciar as tarifas da capital e da RMC, alterando os valores e fazendo uma desintegração do sistema de transporte da região, Taniguchi foi direto. “Nunca pensamos em separar o sistema. Toda essa confusão está se arrastando por uma questão política e, pelo contrário, estamos aqui para tomar uma atitude séria, sem nenhuma menção eleitoral. Queremos que o sistema continue funcionando normalmente. O governo tem que se posicionar sobre o assunto e até o momento não mostrou a sua opinião. O mesmo está acontecendo com a Coordenação da Região Metropolitana (Comec)”, diz.

“A Urbs ainda não explicou tudo”

Para o secretário de Estado Especial para Assuntos Metropolitanos, Edson Luiz Strapasson, ainda há questões a serem esclarecidas. “O Estado não vai aceitar que a Prefeitura determine qualquer prazo para que nós apresentemos uma conclusão sobre as planilhas da Urbs. No nosso entendimento, a Urbs ainda não apresentou todas as explicações sobre os custos das planilhas. Precisamos de todas as informações para que se faça uma análise mais profunda”, diz.

“O vice-prefeito Beto Richa revogou a decisão do Cássio e não deu explicações sobre essa ação. Isso criou um quadro interno complicado e ninguém ficou sabendo da situação. Amanhã (hoje) vamos nos reunir com todos os prefeitos, mas eles que não me peçam aumento da tarifa, porque isso não vai acontecer enquanto tudo não for totalmente esclarecido”, completa.

Governo

Segundo interlocutores do governador Roberto Requião, “na verdade se há um enfrentamento é entre o prefeito e seu vice. Um aumentou a tarifa e viajou. Outro baixou a tarifa, colocando em dúvida os cálculos aprovados pelo titular. Inclusive, quando deu o aumento, o prefeito em nenhum momento fez referência sobre a Região Metropolitana. Só fala agora porque foi desautorizado pelo seu vice”.

O governador também lamenta que o grande prejudicado com o aumento da tarifa de ônibus na capital vai ser mais uma vez o usuário, que está sendo joguete de um mal armado teatro político. Na subida e descida da tarifa de Curitiba não existe a preocupação com os trabalhadores. “O que se vê é um vice-prefeito tentando tirar proveito da situação”.