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Operação de retirada provavelmente começa ainda esta semana.

Os destroços do navio chileno Vicuña, que explodiu no último dia 15 de novembro no terminal de inflamáveis da empresa Cattalini, no cais privado do Porto de Paranaguá, serão retirados em cinco partes. Aconteceu ontem, em Paranaguá, uma audiência publica, quando a Smit Salvage, empresa holandesa vencedora da licitação, apresentou o plano de retirada do navio. Apesar de ser feita pela iniciativa privada, toda a operação será coordenada pela Marinha, como obrigam as leis 7.203/84 e 7.542/86.

Segundo o imediato da Capitania dos Portos em Paranaguá, comandante César Bezerra Teixeira, a previsão para conclusão da retirada é de oitenta dias. As obras provavelmente começam ainda esta semana.

Teixeira explicou que a embarcação será cortada em cinco partes: a polpa, a proa e outras três partes da região central, onde estava o tanque com metanol que explodiu. "Para fazer o corte será utilizada uma técnica com correntes. Elas serrarão o navio sem a utilização de fogo", contou. Já para retirada das partes, uma embarcação cábrea, específica para içar cargas, está vindo do Rio de Janeiro para Paranaguá. "Ela tem capacidade para erguer 1,2 mil toneladas. Cada parte do navio, com certeza, pesará menos que isso", revelou.

O comandante salientou que após a retirada da embarcação do cais da Cattalini, as partes serão rebocadas até o cais da Tenege, em Pontal do Paraná. "Lá esses destroços serão cortados em partes menores e vendidos como sucata para a Gerdau", salientou. Teixeira destacou que será inadmissível qualquer tipo de novo dano ambiental causado pela retirada das partes. A Cattalini, enquanto está com seu terminal interditado, utiliza o terminal de cargas líquidas da Petrobras, que fica ao lado do local do acidente.

Danos

O secretário de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Luiz Eduardo Cheida, apresentou ontem, durante a reunião semanal de governo, o plano de contenção dos danos ambientais e ações que vêm sendo executadas após o acidente com o navio Vicuña. O secretário mostrou, através de mapas e gráficos, os pontos mais afetados e falou sobre a falta de preparo das empresas que trabalham com produtos tóxicos para reagir e prevenir um acidente desse porte.

O navio Vicuña estava carregado com 14 mil toneladas de metanol e explodiu após o descarregamento de 9 mil toneladas do produto. Além desse composto químico, o navio carregava 1.240 toneladas de full oil (óleo bruto), 150 toneladas de óleo diesel, 29,1 toneladas de óleo lubrificante e 2 toneladas de tintas e solventes. "Imagina-se que em torno de 1.150 toneladas de produtos variados vazaram ao mar. Ainda não é possível precisar o volume exato do vazamento em decorrência de não se ter acesso aos compartimentos internos do navio, que ainda possuem material estancado", explicou Cheida.

Segundo Cheida, também não é possível dimensionar o impacto ambiental nas regiões atingidas pelo vazamento do óleo. "Sabe-se apenas quais foram os locais mais afetados pelo óleo, como é o caso das ilhas de Piaçaguera, Cootinga, das Cobras, do Mel (ponta oeste), das Peças e Cassueiro, alertou.

Denúncia

O governador Roberto Requião (PMDB) disse que existe suspeita de desvio de dinheiro por parte de empresas terceirizadas, encarregadas pela contratação de pessoal para a limpeza da Baía de Paranaguá. O assunto foi levantado durante apresentação do chefe de Divisão de Defesa Civil da Casa Militar, capitão Maurício Genero. Segundo o militar, uma das preocupações da Defesa Civil tem sido monitorar o trabalho das três empresas especializadas contratadas pela seguradora do navio para recuperar o meio ambiente da área afetada. Foi constatado que dos R$ 180 de pagamento diário que deveria ser feito aos trabalhadores contratados, estão sendo repassados apenas R$ 30.

Genero disse que pediu esclarecimentos formais sobre esses pagamentos e o governo do Estado já comunicou o fato ao Ministério Público, que diz estar a par do assunto.