Grupo protestou ontem. Escadarias
dificultam o acesso às exposições.

O NovoMuseu de Curitiba, obra que custou cerca de US$ 15 milhões não dispõe da estrutura necessária para receber visitantes portadores de deficiências. A impossibilidade da visitação fez com que cerca de 20 deficientes protestassem ontem no local . O ato foi organizado pelo Centro de Vida Independente (CVI), organização mundial que luta pela independência e inclusão social de todos os portadores de deficiência.

Em cadeiras de rodas ou usando muletas, os deficientes percorreram o museu e comprovaram os problemas de acessibilidade, que começam já no estacionamento. Não há vagas preferenciais sinalizadas e guias rebaixadas, como determina o decreto 582/90. Ir e vir de ônibus também não é fácil. O minielevador da estação tubo em frente ao local também não funcionava. Para entrar no museu, os portadores de deficiência têm de passar por rampas irregulares.

Segundo Ricardo Mesquita, arquiteto especializado em acessibilidade, que participou da visita, a rampa possui inclinação de 20% quando a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) limita a 8% a inclinação máxima. “O piso também é muito liso, especialmente perigoso para quem se locomove com algum auxílio”.

O acesso até o salão nobre do museu só é feito por meio de elevador, que sobe até o 3 andar. Depois disso, para conhecer os andares superiores, os visitantes têm de utilizar a escada. “Sozinhos, sem ajuda não temos como subir. Temos o direito de acesso à cultura como cidadãos”, disse Elias Ribeiro Carneiro, vice-presidente da Associação Paranaense dos Deficientes Físicos (APDF). Auxiliados por amigos, Elias e outros portadores de deficiência conseguiram ver as obras expostas em um dos pavimentos do museu. “É bonito. Pena que não possamos ver tudo”.

Prazo

Segundo Sueli Beber, presidente da CVI no Paraná, as entidades vão procurar o governo do Estado para exigir uma resposta. “A lei nos protege. Tem que haver algum tipo de adaptação na estrutura que permita nosso acesso?, disse.

“Com pouco dinheiro dá para arrumar isso aqui. A colocação de uma rampa elétrica não é cara e resolveria o problema”, explicou Ricardo.