Tecnologia

Multinacional investe R$ 200 milhões em nova tecnologia para fundição de peças de motores no Paraná

Imagem mostra detalhes da fábrica da Horse Powertrain em São José dos Pinhais - Detalhe do bloco de alumínio para a fabricação de cabeçotes dos motores turbo flex 1.0 e 1.3 da Horse Powertrain, na Região Metropolitana de Curitiba.
etalhe do bloco de alumínio para a fabricação de cabeçotes dos motores turbo flex 1.0 e 1.3 da Horse Powertrain, na Região Metropolitana de Curitiba. Foto: Divulgação/Horse/ Rodolfo Buhrer

A Horse Powertrain inaugurou, na última terça-feira (20), uma linha de fundição de alumínio por gravidade na fábrica de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. O investimento de R$ 200 milhões amplia a capacidade produtiva da unidade, que poderá fabricar até 210 mil cabeçotes para motores 1.0 e 1.3 por ano. Segundo a empresa, a conquista de novos contratos poderá ampliar a equipe e a produção no Paraná.

A escolha do estado para esta nova tecnologia de fabricação de peças de motores por meio da gravidade está ligada à experiência na fabricação deste componente, à especialização em tecnologia Flex Fuel e à estrutura de desenvolvimento instalada no país. A fábrica tem 26 anos de operação no Paraná e completará 27 anos em 4 de dezembro, segundo Cleverson Rabito, diretor de operações da Horse Powertrain no Brasil.

“Conquistando novos projetos e novos contratos, vamos ampliar o nosso time, a nossa produção e a nossa participação no mercado. Estamos prontos para isso”, afirmou Rabito em um papo com a Tribuna do Paraná.

Imagem mostra detalhes da fábrica da Horse Powertrain em São José dos Pinhais.
Tanque com alumínio derretido a mais de 700 °C na fábrica de São José dos Pinhais; processo utiliza 98% de alumínio reciclado e energia de fontes renováveis. Foto: Divulgação/Horse/ Rodolfo Buhrer

Já o CEO global da companhia, Matias Giannini, destaca que o centro de desenvolvimento de Flex Fuel instalado no Brasil atende às operações da empresa em outros países. Segundo ele, a estratégia da companhia considera as particularidades de cada mercado e a necessidade de desenvolver tecnologias adaptadas às demandas regionais. “O que o Brasil precisa em termos de tecnologia é diferente do que a Europa, os Estados Unidos ou a China precisam”, ponderou.

Produção da unidade e novos motores

Os componentes fabricados na nova linha serão destinados aos motores turbo flex Horse H10, de 1,0 litro, e Horse H13, de 1,3 litro, comercializados no Brasil e na América Latina. O investimento de R$ 200 milhões soma-se aos R$ 100 milhões aplicados anteriormente na fabricação do motor H13. Os motores da Horse já equipam modelos da Renault, como Kardian, Kwid e Boreal.

Com a inauguração, a unidade passa a reunir três tecnologias de fundição de alumínio: alta pressão, baixa pressão e gravidade. As duas primeiras operam na fábrica desde 2018.

“Vemos a gravidade e esse investimento como uma oportunidade de obtenção de novos negócios através dessa nova tecnologia. Trouxemos a tecnologia, nos antecipamos e fizemos esse investimento”, afirmou Rabito.

Segundo o diretor, parte do desenvolvimento das máquinas utilizadas na nova linha foi realizada no Brasil, com participação de profissionais da empresa em diferentes países. O trabalho envolveu transferência de tecnologia e parcerias com universidades. “Capitalizamos e desenvolvemos no Brasil, o que gerou não só um aporte para a compra dos equipamentos, mas também uma transferência de tecnologia que fica na região e no país”, disse.

Rabito acrescentou que a estrutura pode contribuir para a formação de profissionais por meio da colaboração com instituições de ensino técnico e universitário.

Imagem mostra detalhes da fábrica da Horse Powertrain em São José dos Pinhais.
Fábrica da Horse Powertrain em São José dos Pinhais (PR), que inaugurou nova linha de fundição de alumínio por gravidade após investimento de R$ 200 milhões. Foto: Divulgação/Horse/ Rodolfo Buhrer

Atuação global e estratégia no Brasil

A presença da estrutura de desenvolvimento de Flex Fuel no Brasil é um dos fatores que explicam a importância do Paraná e do Brasil, consequentemente, para a companhia.

O CEO global da Horse apontou ainda a produção local como um fator estratégico diante das mudanças na indústria automotiva, influenciadas por questões geopolíticas, tarifas e impostos. Para ele, desenvolver tecnologias adaptadas a cada região se tornou importante para atender às necessidades específicas de cada mercado.

“Estamos vivendo na indústria um efeito que eu chamo de desglobalização. Teve a globalização muitos anos atrás, agora nós estamos em desglobalização, seja por questões geopolíticas, por questões de tarifa, por questões de impostos, seja lá o que for, ganha quem consegue produzir a tecnologia local do que aquela região precisa. Estar perto de quem precisa”, ressaltou. De acordo com Giannini, a Horse Powertrain possui 18 fábricas e cinco centros de desenvolvimento no mundo, sendo um deles este do Paraná, em São José dos Pinhais.

Sustentabilidade e redução de emissões

A nova linha utiliza 98% de alumínio reciclado e energia de fontes renováveis, além de contar com certificação de aterro zero. O processo incorpora inteligência artificial na validação das peças e sistemas integrados de fusão e transporte.

Segundo as informações da empresa, essas soluções reduzem em cerca de 35% a geração de CO₂ em comparação com os fornos tradicionais.

A tecnologia de fundição por gravidade amplia as possibilidades de produção da fábrica paranaense e, conforme Rabito, prepara a companhia para disputar novos projetos e contratos no mercado automotivo.

O CEO global destacou o papel da tecnologia Flex Fuel na estratégia de descarbonização. “Um motor híbrido de altíssima performance com Flex Fuel é, em muitos casos, menos poluente e mais eficiente do que um carro elétrico, dependendo da matriz energética utilizada para carregar a bateria”, afirmou Giannini.

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