Ferramentas de sapateiro, móveis, caixas de leite, fitas cassetes, telhas e outros objetos. Pela variedade de materiais, a descrição pode muito bem se encaixar em uma feira, mas infelizmente retrata a abundância do lixo que é jogado em um terreno baldio na Rua São Luis, entre as ruas Pedro Fabri e dos Funcionários, no Cabral. Durante o dia ou de noite é possível encontrar carros que param à beira do terreno e despejam ali o que não serve mais.

Mesmo sem muitas casas próximas, a situação incomoda quem passa pelo trecho. O pintor Marcos Ely Brisola já morou na região e conta que o descarte do lixo no local só piorou nos últimos 20 anos. “Isso acontece desde quando não tinha asfalto na rua, era um carreirinho”, lembra. Ele afirma que, além da beira do asfalto, o mato alto no interior do terreno esconde mais lixo e outros problemas, como animais mortos, além de abrigar moradores de rua e usuários de drogas. “Dentro do mato tem mais”, garante.

O terreno faz divisa com a casa de um morador que preferiu não se identificar, mas se diz cansado com a situação. Para tentar amenizar o problema, ele mesmo tenta limpar a área. “Quando posso, eu limpo. A prefeitura faz o trabalho, mas não dá conta”, desabafa. Ele ainda vai além e afirma que são moradores de residências próximas os responsáveis pelo problema. “Final de ano, por exemplo, tem caranguejo jogado aqui, tudo que é coisa consumida no verão. O problema é falta de conscientização”, critica.

Lineu Filho
Pneus velhos favorecem a proliferação do mosquito da dengue.

Na semana passada, a reportagem flagrou uma mulher bem vestida parar com um Kia Cerato e descarregar lixo no local. Um motoqueiro parou para reclamar, mas mesmo assim a mulher continuou a despejar o material. Depois entrou no carro, fechou os vidros e saiu em alta velocidade.

No Portão, problema é o mato!

Já na esquina das ruas Engenheiro Niepce da Silva e Ponta Grossa, no Portão, é preciso muita atenção dos pedestres. Quem prefere enfrentar o mato alto que tomou conta da calçada corre o risco de dar de cara com os ratos que “moram” por ali. Outra alternativa é trafegar pela rua, junto com os carros que passam em alta velocidade no trecho.

Os moradores contam que, mesmo com o terreno vazio há algum tempo, a situação ainda não tinha chegado ao ponto que está atualmente. “Sempre escuto alguém gritando aqui porque um rato passou por cima do pé. A gente tenta manter tudo o mais limpo possível para evitar que os animais entrem nas nossas casas”, conta a enfermeira Priscila Sandrini, que mora em frente ao terreno. Assim com ela, outros moradores afirmam que já solicitaram providências pela Central 156, porém não receberam respostas.

A vegetação alta facilitou que moradores de rua encontrassem um “cantinho”, no meio do mato, onde colocaram até um colchão. Outras pessoas aproveitam a situação do espaço para jogar lixo no local, como pneus velhos, que facilitam a proliferação do mosquito da dengue. “Acumula água e lixo. A gente nem sabe mais que tipo de coisa tem no terreno”, lamenta o administrador David Baratieri, que também acompanhou a deterioração do espaço.

Providências?

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente enviou integrantes das regionais da prefeitura para verificar a situação nos dois terrenos e definir o que pode ser feito. A secretaria deve divulgar hoje uma resposta sobre os dois locais.

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Lineu Filho
Quem passa pela esquina está sujeito a encontrar ratos.
Leonardo Coleto
Reportagem flagrou mulher saindo de carrão e despejando materiais no monte de lixo.