A luta pela reforma agrária é antiga no Brasil. Por isso, é difícil saber quando o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realmente surgiu. Porém, a entidade utiliza como marco de sua fundação o I Encontro Nacional dos Sem Terra, ocorrido entre os dias 20 e 22 de janeiro de 1984, em Cascavel, na região oeste do Paraná. Com isso, a entidade está comemorando 25 anos de criação.

Na época, o encontro reuniu trabalhadores rurais de 12 estados brasileiros e representantes de diversas organizações. “Acredito que, ao longo dos anos, o movimento acumulou mais conquistas do que derrotas. Ele se firmou como organização política, conseguiu a desapropriação de diversas propriedades e se tornou conhecido e respeitado pela sociedade”, comenta o integrante da coordenação estadual do movimento, José Damasceno.

Desde 1984, os integrantes do MST participam de uma série de debates, discussões e manifestações. Entre os momentos de destaque para a entidade estão a aprovação do Plano Nacional de Reforma Agrária, em 1985; o massacre de Eldorado dos Carajás, em 1996, quando 19 sem terra foram mortos no Pará; e, em 2002, a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva como presidente, que gerou uma série de expectativas de mudanças sociais e econômicas.

Na opinião da chefe da unidade de Francisco Beltrão do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Fiorinda Martins Moreira, o MST coloca em pauta questões prioritárias para a reforma agrária, como o uso da terra, a dívida externa e os transgênicos.

O MST também acumula uma série de críticas negativas. Uma das organizações que reage contra as invasões a propriedades privadas é a União Democrática Ruralista (UDR). “O Brasil não precisa de uma reforma agrária, mas sim de uma colonização agrícola. O País é a última fronteira agrícola do mundo e poderia dobrar sua produção se outras áreas fossem utilizadas, como o serrado. Porém, o MST não quer colonizar, mas, sim, coletivizar a produção agrícola, a exemplo do que já foi feito em outros países (como a Rússia), e não deu certo”, diz o presidente da UDR no Paraná, Marcos Prochet.

Atualmente, o MST está organizado em 24 estados, onde existem cerca de 130 mil famílias acampadas e 370 mil assentadas. (Mais sobre o MST na pág. 8)