Sem medo, elas já costuram no trânsito curitibano.

Atividades que normalmente são realizadas por homens estão sofrendo transformações e abrindo as portas para as mulheres. Um bom exemplo disso é o aumento no número de mulheres trabalhando como motogirl em Curitiba e Região Metropolitana. Hoje, dos doze mil profissionais que atuam na área, 5% representam a classe feminina. De acordo com Tito Mori, presidente e fundador do Sindicato dos Motoboys, apesar do número aparentemente ser pequeno, ele é bastante significativo comparado com estatísticas anteriores, quando as mulheres eram menos de 1% do total.

Para Melissa Kely da Silva, que há sete anos trabalha como motogirl, os dois principais fatores que contribuem para a redução do número de mulheres no cargo de motogirl são o medo do trânsito e a inibição de trabalhar em uma profissão onde a maioria dos colegas são homens. Entretanto, ela afirma que, se as mulheres superarem esses fatores poderão ter uma carreira promissora, pois nunca falta emprego nesse setor. “Acho que as empresas hoje estão preferindo mais as mulheres do que homens para trabalhar, pois temos os diferenciais de sermos mais cuidadosas no trânsito e conservar as motos em bom estado por um período maior do que os homens na mesma moto”, acrescenta ela.

Segundo Mori, o trabalho de motogirl está em ascensão no mercado e a pouca mão-de-obra ofertada não está suprindo a demanda. Por está razão, o sindicato esta oferecendo orientação para as mulheres que querem entrar neste ramo, mas não têm conhecimento de como iniciar. Mais informações pelo telefone (41) 3023-8604.

Lazer

Além de utilizar as motos para o trabalho, muitas mulheres também estão optando por usar o veículo como meio de transporte, devido a economia com gasolina e também para lazer, como por exemplo, por meio de encontros com outros motoqueiros.

Segundo Emerson Paredes, presidente do Motoclube Central, são realizados todas as sextas-feiras, no espaço Rebouças, em Curitiba, encontros entre motoqueiros, e o número de mulheres que estão freqüentando o local com veículos próprios está aumentando. No último evento, por exemplo, entre mil motoqueiros que compareceram, cerca de 40 eram mulheres. “Antes elas chegavam no encontro de carona com os homens, hoje, algumas estão dando carona para eles”, brinca Paredes.

Para a aposentada Nadir Rotili Jacobuci, de 48 anos, a descoberta do uso de moto como meio de transporte e lazer tornou sua vida mais independente e feliz. “Tenho uma sensação de liberdade e acho que todas as mulheres deveriam experimentar e perder o preconceito de que moto é para homem. Tenho a minha e pretendo não me desfazer dela tão cedo”, conclui ela.