Foto: Aliocha Mauricio/O Estado

Peça vazia de residência já foi usada no velório de vários vizinhos.

A falta de uma capela mortuária no Bairro Novo revolta os moradores da região, principalmente depois que, por questões de saúde, foi proibida a realização de velórios na capela na Paróquia Profeta Elias, onde os moradores mais carentes costumavam velar seus mortos.

Como os cemitérios municipais em que esses mortos são sepultados ficam muito longe do bairro (geralmente eles são levados para São José dos Pinhais ou para o Santa Cândida), muitas famílias acabam não tendo condições de prestar uma última homenagem a seu ente falecido.

?O único cemitério que tem aqui perto (Parque São Pedro) é particular e muito caro. Nossa população é humilde, muitos não têm condições de pagar um plano funerário e, num momento triste como no falecimento de uma pessoa, ainda têm esse problema, não há onde velar?, diz a líder comunitária Maria Eugênia Ferreira.

A vendedora Erotildes Muller, que tem uma peça vazia em sua casa, conta que já emprestou o local para o velório de vários vizinhos. ?Mas não tem as condições de conforto e higiene necessárias, e também não quero transformar minha casa em uma capela?, conta.

Moradora do bairro, Zeila Fernandes relata que, desde 2004, a comunidade já fez diversas reuniões com representantes da Prefeitura, encaminhou abaixo-assinados com mais de 3 mil assinaturas e até providenciou a documentação de dois terrenos que poderiam ser utilizados para a construção da capela, mas até agora nada foi feito.

A assessoria de imprensa da Prefeitura de Curitiba informou que, apesar de as solicitações terem sido feitas de maneira informal, a Regional do Bairro Novo já as encaminhou à Secretaria Municipal de Meio Ambiente, que está avaliando as condições dos dois terrenos indicados pelos moradores e procurando outras áreas que também possam abrigar a capela.

Os moradores prometem realizar um grande protesto caso não haja nenhuma providência nos próximos dias.