Moradores de um loteamento no bairro Ferraria, em Campo Largo, vivem um dilema para conseguir entrar e sair de suas casas. O problema de falta de estrutura é antigo, mas agora piorou com o proprietário de uma chácara ao lado fechando uma das ruas abertas por eles mesmos e que dá acesso ao restante do bairro.

Na quarta-feira, os moradores se depararam com seis caminhões despejando terra no meio da rua para bloquear a passagem e, no dia seguinte, contrataram uma máquina para limpar a área e evitar usar um matagal como passagem. “Tem usuários de drogas, não tem iluminação. É muito perigoso usar o carreiro, por isso abrimos a rua de novo”, conta o aposentado Antônio Melniski, primeiro morador do local. Uma das proprietárias do terreno onde foi aberta a rua irregular contesta a maneira como a “obra” foi feita. “Eles invadiram o terreno e abriram a rua. Como você vai entrar em uma propriedade particular sem ter autorização? Fizemos um boletim de ocorrência”, conta Rosane Letnar Paciornik. A empresária admite negociar coma prefeitura uma solução para o impasse, que começou em novembro. “Vai depender deles, que estão indo por meio ilícito, estão errados. A partir do momento que eles procurem uma forma legal e a prefeitura nos chame, vamos conversar e analisar”, admite Rosane.

Marco André Lima
Dóris: não podemos ficar sem esta rua.

Sem o acordo, a situação das famílias fica ainda mais precária. Antônio, o primeiro morador, construiu sua casa há 12 anos, em um terreno herdado pela mulher. Hoje, outras 12 famílias já moram no local e também temem que a rua seja novamente bloqueada.

O risco para as mulheres que usam o careiro é ainda mais preocupante. Elas reclamam de um homem que fica ameaçando quem passa pelo matagal. “Há seis meses eu saí para trabalhar às 6h da manhã e o homem pelado veio atrás, tive que correr. Já me mudei daqui porque não aguento mais isso”, lamenta Luana Melniski, que morava com o pai na região até ser ameaçada.

Sem a rua que eles abriram, a alternativa de acesso ao restante do bairro é uma subida íngreme, de 270 metros, e que não pode ser usada em dia de chuva. “Se precisar sair de carro, ir ao médico, por onde vamos passar? Não podemos ficar sem esta rua”, reclama a dona de casa Dóris Bueno, que mora na localidade há cinco anos.

Benfeitorias, só pagando!

O loteamento onde moram as 12 famílias que estão sem ruas regulares de ligação com o restante da cidade tem uma estrutura precária. E o pouco que conseguiram, foi pagando. Até mesmo o encanamento que leva a água para duas casas foi comprado por eles. O investimento beira R$ 10 mil.

“Não tínhamos nada aqui. Conseguimos tudo: poste, cano, fiação. São 270 metros de cano para trazer água e duas casas repassam a água para as outras famílias”, explica o aposentado Antônio Melniski. Os moradores alegam já ter procurado a prefeitura para solucionar os problemas de falta de água e esgoto, mas nunca foram atendidos.

A prefeitura de Campo Largo informou que hoje fará uma reunião com os moradores para buscar uma solução para as ruas irregulares e também para dar mais estrutura ao loteamento. De 21 de janeiro a 1.º de fevereiro todo o bairro passará por uma operação concentrada para melhorias.

Marco André Lima
Antônio: é muito perigoso usar o carreiro,. Veja o vídeo com o depoimento dos moradores.