Representantes de 10 mil famílias ameaçadas de despejo em São José dos Pinhais protestaram na manhã de ontem, em frente ao fórum da cidade, para tentar sensibilizar as autoridades sobre ações que sofrem na Justiça. Os moradores, que ocupam mais de 24 loteamentos, exigem negociação justa de seus contratos de compra de terrenos, envolvendo imobiliárias em vários bairros da região. Segundo os mutuários, muitos deles sofrem pressões diárias de processos de reintegração de posse.

Uma das moradoras que vive diariamente essa pressão é a dona de casa Claudete Menezes, uma das líderes do movimento. Moradora do Jardim Fátima, também briga na Justiça pela renegociação da dívida. “O que acontece aqui é um absurdo, pois estão cobrando à vista preços de casas de luxo por moradias populares. O que a gente quer não é dar o calote, mas sim regularizar essa situação. O que não pode é continuar desse jeito. Quanto mais se paga, mais se deve”, afirma.

Claudete ainda conta que os loteamentos do município são irregulares. “Há uma série de terrenos que estão em áreas de mananciais. E agora, além de não conseguirmos pagar as prestações, não conseguimos fazer outro financiamento, pois as áreas são irregulares”, explica. Cícero Alves dos Santos, morador do Jardim Eldorado, diz que a pressão por parte das imobiliárias envolvidas no caso é frequente. “Quase todo o dia vai alguém se passando por oficial de Justiça para nos ameaçar e pressionar. Até gente armada dizendo que ia passar o trator em cima da minha casa já apareceu. É horrível viver dessa maneira”, comenta.

Reanálise

Em reunião na tarde de ontem com representantes das imobiliárias, juízes que analisam o caso e líderes das comunidades envolvidas, os moradores pediram revisão dos valores das prestações de imóveis adquiridos e reanálise dos contratos para pagamento de preço real, além de propor levantamento de proprietários em situação de risco ou irregular. Hoje está programada nova reunião.

Solução está na Justiça

Para a Associação Nacional dos Mutuários do Paraná (ANM-PR), a única saída para os moradores é buscar seus direitos na Justiça. Segundo o presidente da entidade, Luiz Alberto Copetti, há uma série de irregularidades no processo de venda dos lotes. “Houve erro no cálculos no IGPM e na correção dos valores e os preços cobrados estão superfaturados. A gente sempre indica a busca do acordo, mas como sabemos que as imobiliárias nesses casos são intransigentes, nos casos mais extremos é preciso ir à Justiça para obter seus direitos. E é preciso ir rápido, pois há uma série de casos, em toda a região de Curitiba inclusive, nos quais os mutuários são obrigados a deixar suas casas”.