No Água Verde, gente que já passou dos 70 e até dos 90 anos dá lição de civilidade e de urbanidade para a moçada. Sem fazer discurso, só com bons exemplos. É o caso das moradoras Celeste, Catarina e Maria, que se dividem entre a beleza dos jardins, o cuidado e a limpeza das casas e muito carinho com a região, onde estão há décadas.

Na Rua Amazonas, a casa com pintura em dia e jardim todo colorido pelas flores, mora Celeste Guther Serpe, 82, com o marido, Romildo Serpe, 92. Eles chegaram ao Água Verde há mais de 30 anos. “Nós que plantamos a primeira árvore aqui na frente, porque não tinha nada”, conta Celeste. É ela quem cuida do jardim de casa. “Toda a vida eu sempre gostei de cuidar. Sempre tem algo florescendo aqui em casa, fica bonito e tem perfume bom”, diz. Ela conta ainda que faz a separação de todo o lixo de casa, e as cascas de frutas, como a de banana, são aproveitadas para adubar as plantas.

Mas não é todo mundo que tem o mesmo zelo e respeito. Em um bar ali perto, os clientes jogam copos e urinam na frente de casa, além do som alto que, segundo Celeste, “deixa a cabeça arrebentando”. Ao chamar a atenção deles, ela levou um xingão; e chora ao contar a história.

Lixo na praça

Ivonaldo Alexandre
Celeste, Romildo e Maria têm zelo e respeito pela casa onde moram.

Na casinha rosada em frente à Praça Alias Abdo Bittar mora Catarina Barão Lenartovicz. Aos 90 anos, está instalada no Água Verde há cerca de 55. Ela conta que plantou muitas das árvores da praça e sempre as regava. Parou por causa da idade, mas fica chateada com as pessoas que jogam lixo por ali. “Fica muito feio. Meu marido fica bravo, porque a gente deixa tudo limpo por aqui e eles vêm e jogam lixo”, afirma.

Catarina também aproveita o lixo orgânico como adubo. A separação do lixo é tarefa que nunca deixa de fazer. Ela sabe direitinho os dias em que o caminhão vai passar. “O lixo que não é lixo passa toda segunda, quarta e sexta-feira. Só no dia da coleta coloco na frente de casa”. Das flores que enfeitam a casa – palmas de diferentes cores – ela é quem cuida. “Só a grama que vem o rapaz cortar, porque eu não posso mais”.

Enfeites e flores no jardim

“Não mudaria daqui”, diz Maria Leonilda, 74, que também está há décadas no bairro. Ela afirma que não tem nada a reclamar do bairro e faz a sua parte para colaborar. “É muito importante deixar a casa bonita. Se você olha uma casa cheia de mato, suja, fica feio, né?”, comenta.

Por isso, a casa de Maria está impecável. As paredes são feitas parte em pedra, parte em azulejo. O restante está com a pintura tinindo.  No jardim, que ela mesma cuida, além de vários tipos de flores e plantas, ficam enfeites, como coelhinhos e gansos. A grama é cortada uma vez por mês por um jardineiro. “Eu mesma limpava antes, mas agora as pernas não ajudam mais”, conta. Nos muros, vasos de flores estão pendurados, e nas paredes da casa, na parte de fora, mais enfeites de flores. “Meus vizinhos sempre param e ficam admirando meu jardim”, orgulha-se Maria.