| Chuniti Kawamura |
| Católicos pediram paz e emprego na missa realizada no alto do Morro Samambaia. |
Por questões ambientais, a tradicional missa pela paz realizada no Morro Anhangava, em Quatro Barras, no Dia do Trabalhador, foi transferida para o morro que fica ao lado, o Samambaia. O número de pessoas, que em anos anteriores chegou a três mil, foi limitado a 300. Porém, menos de 200 fiéis participaram em cada uma das duas celebrações realizadas ontem. Os católicos aproveitaram a caminhada para pedir paz e emprego.
Os fiéis se concentraram no pé do morro às 8h30 e logo começaram a caminhada. Alguns levaram cerca de 40 minutos para chegar ao cume, enquanto outros demoraram mais de uma hora. Era preciso muito cuidado: o trajeto era íngreme e em alguns pontos as pedras estavam escorregadias. Houve até quem ficasse pelo caminho. Uma médica e homens do Corpo de Bombeiros estavam a postos para uma eventual emergência. Técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e da Secretaria do Meio Ambiente do município também estavam espalhados pelo caminho, cuidando para que nada fosse jogado pela trilha.
Vencer a distância que separa o pé do morro ao cume também foi um exercício de fé. Suelen Klinpel, 21 anos, está desempregada há um ano e queria muito garantir a carteira de trabalho assinada. ?A caminhada é difícil, mas não pensei em desistir. Tenho fé que vou arrumar um trabalho?, falou.
O padre da paróquia São Sebastião, de Quatro Barras, Rodinei Thomazella, explica que a missa é realizada desde 1947. Para ele, a mudança de local foi uma decisão sensata tomada pela Igreja e Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), já que produz menos danos ambientais. Ele também não viu problema na restrição do número de pessoas. Anteriormente, nem todos que subiam o morro tinham a intenção de participar da celebração. Este ano só subiu quem foi cadastrado por uma das paróquias da cidade. A medida também garantiu que a população de Quatro Barras, que iniciou a tradição, tivesse prioridade. Durante a tarde houve outra missa no Samambaia e foi aberta para pessoas de outras localidades.
O secretário estadual do Meio Ambiente, Rasca Rodrigues, que também participou da caminhada, explicou que a mudança de local era necessária porque o impacto causado pelo grande número de pessoas no alto do Anhangava era enorme. No ano passado, a celebração da missa foi proibida, mas mesmo assim os fiéis subiram e rezaram um terço. Para ele, a mudança representa um passo muito importante para preserval o local, que é Área de Proteção Ambiental. A Sema estuda agora adotar medidas para garantir a visitação do morro de forma ordenada. No ano que vem, a missa deve ser celebrada mais uma vez no Samambaia.