Ministério Público fiscaliza areais irregulares em Araucária

O funcionamento irregular de areais vem gerando uma série de prejuízos ao meio ambiente de Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba. Ontem, com o objetivo de analisar impactos, representantes do Ministério Público Estadual, da delegacia de Araucária, da Secretaria Municipal do Meio Ambiente e das organizações não governamentais Atmosfera e Associação de Meio Ambiente de Araucária (Amar) realizaram averiguações em cinco dos oito areais existentes no município.

Logo no início das visitas, ficou comprovado que nenhum dos empreendimentos tinha licenciamento do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e que a maioria não possuía alvará de funcionamento. "Os areais estão localizados em áreas de várzea e preservação permanente. Eles foram abertos sem a consultoria de técnicos em meio ambiente, engenheiros florestais, geólogos, agrônomos e mesmo biólogos", afirmou o secretário de Meio Ambiente de Araucária, Genésio Felipe da Natividade.

Entre os impactos verificados estão evasões de recursos naturais provocados por desmatamentos e formação de cavas devido à grande retirada de areia. Além disso, foi constatado que o pó proveniente das estradas onde transitam uma grande quantidade de caminhões pertencentes aos areieiros tem gerado prejuízos à saúde de moradores próximos, como problemas respiratórios e irritações de pele. "Outro problema é que os areieros acabam de explorar determinada área e a abandonam, sem promover trabalhos de recuperação ambiental", comentou o diretor da Secretaria de Meio Ambiente, Tadeu Lucaski.

Segundo Genésio, os resultados das averiguações devem ser estudados por técnicos da própria secretaria e também das ONGs. A intenção é que desse estudo saia uma proposta para que a situação dos areais seja regularizada e para que as necessidades ambientais sejam atendidas. Se uma solução não for encontrada, os areieiros podem ser multados e os areais embargados, resultando em processos criminais.

Trabalhadores querem regularizar atividade

O geógrafo da Associação dos Mineradores de Areia e Saibro do Paraná (Amas-PR), Paulo Tosin, declarou que o IAP parou de licenciar a mineração de areia, mas que mesmo assim, a atividade não pode deixar de ser realizada. "A areia é a cesta básica da construção civil. Sem ela, a construção civil, que é de extrema importância para a sociedade, pára completamente."

De acordo com ele, os areieiros vêm realizando a exploração da forma mais consciente possível e, há três anos, a Amas-PR vem tentando regularizar a atividade. "Nos últimos anos, investimos mais de R$ 700 mil em análise da qualidade da água proveniente de cavas e estudos para recuperação de flora. Pretendemos também utilizar um satélite de alta definição para realização de um projeto de desenvolvimento das área de areiais. A exploração é um mal necessário, mas que não vem sendo realizada de forma tão irresponsável como está sendo dito."

IAP

O presidente do IAP, Rasca Rodrigues, informou que a exploração de areia é uma atividade extremamente impactante e que possui uma série de normas a serem seguidas para poder ser realizada. Por isso, o licenciamento ambiental não pode ser fornecido a empreendimentos que não possuem um comprometimento sério com o meio ambiente. No momento, o Instituto está analisando uma proposta de adequação feita por areieiros da região do Alto-Iguaçu – na qual estão incluídos os areiais de Araucária – e, se ela for aprovada, será dado prosseguimento a trabalhos de licenciamento. (CV)

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