Seis sem-terra saíram feridos durante invasão de um grupo de aproximadamente 40 homens armados na madrugada desta sexta-feira (4) nas proximidades do acampamento Dorcelina Folador, no interior de Cascavel, oeste do Paraná. Um integrante do Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) continua internado. Trata-se da segunda ação no Paraná de uma milícia armada esta semana contra sem-terra.
No domingo (30), o sem-terra Eli Dalemolle, de 42 anos, foi assassinado dentro de casa no acampamento Libertação Camponesa, em Ortigueira, região Central do Estado. Cinco pessoas foram presas. O ataque desta sexta (4) seria uma retaliação contra os trabalhadores rurais que, na quarta-feira (2), bloquearam a estrada de acesso à fazenda Cajati e apreenderam um trator e um caminhão usados no corte e transporte de madeira. O MST justificou que a ação teve objetivo de denunciar o desmatamento ilegal na região.
De acordo com relatos dos sem-terra, a invasão dos pistoleiros aconteceu por volta das 3h30 desta madrugada (4) e durou cerca de 15 minutos. "Foi uma ação muita rápida e organizada. Os pistoleiros chegaram atirando", disse Moacir Martence, um dos líderes do acampamento Dorcelina Folador, localizado dentro da fazenda Cajati.
No local, vivem cerca de 450 famílias de sem-terra, que ocupam a área desde maio de 1999. A fazenda, que tem ordem de reintegração de posse desde àquela época, pertence a Orlando Carneiro, que preferiu não se manifestar sobre o confronto. De acordo com o líder do MST, cerca de 50 sem-terra estavam acampados na área em que foi retirada a madeira. "Todo mundo saiu correndo quando iniciaram os tiros. Foi um terror. Eu ouviu as balas cruzando perto do ouvido. Pensei que não sobreviveria ninguém", relata o líder do MST. Para Martence, os homens não queriam matar, "mas causar pânico aos trabalhadores rurais".
No local, a polícia recolheu mais de 50 cartuchos deflagrados de armas calibres 12, 38, 22 e 9 milímetros. Ainda segundo relatos das vítimas, os agressores usaram pedaços de madeira contra os sem-terra. Dos seis feridos, Valdir Lemes dos Santos, de 36 anos, e Paulo Valmor Schneider, de 39, seguiram para o hospital Nossa Senhora da Salete em Cascavel.
Apenas Schneider segue hospitalizado. Ele sofreu fraturas e está cheio de hematomas pelo corpo. "Eu estava dormindo no barraco, quando ouvi os tiros. Levantei e fui até o local. No caminho, os pistoleiros me pegaram, desferindo chutes, socos e pauladas. Eu disse que não era bandido, mas eles continuaram batendo até que não me lembro de mais nada", afirma.
Os próprios sem-terra avisaram a polícia sobre o ataque. "Quando chegamos ao local do confronto, a situação já estava contornada", disse o tenente da PM José Eliseu Moreira da Silva. O oficial informou que o grupo de homens foi resgatado por carros de passeio e por uma caminhonete. A Polícia Militar fez um cerco na região, mas não localizou os suspeitos. Uma equipe de PMs permanece na região para manter a segurança.
A Polícia Civil abriu inquérito para apurar o caso. Os integrantes dos MST acusam a mesma milícia armada de promover a desocupação na fazenda Syngenta, em Santa Tereza do Oeste, em 21 de outubro do ano passado. Na ocasião, o segurança Fábio Ferreira e o líder do MST, Valmir Mota de Oliveira, o Keno, foram mortos. A empresa NF Segurança era a responsável pela segurança da Syngenta.


