O fato de Curitiba não ter registrado nenhum caso de dengue contraído localmente não significa que não há focos do mosquito Aedes aegypti na cidade. Em 2008, por exemplo, a Secretaria Municipal de Saúde identificou e destruiu 49 focos. É a fiscalização de rotina que encontra a maioria deles, mas muitos pontos que são potenciais criadouros do inseto transmissor da doença são encontrados graças a pedidos de inspeção de imóveis feitos por cidadãos. Este ano, o serviço 156 tem recebido entre oito e dez ligações por dia.

“Não temos nenhum caso autóctone, mas temos o Aedes em Curitiba”, afirma o diretor do Centro de Saúde Ambiental da secretaria, Sezifredo Paz. “A incidência é menor que 1%. Isso nos dá uma certa segurança, mas não significa que podemos descuidar”, completa. Paz explica que, enquanto a cidade mantiver essa taxa, não há possibilidade de epidemia, já que o vetor não tem como se proliferar.

De acordo com o diretor, o trabalho da fiscalização se concentra na rotina das visitas a imóveis e em constantes vistorias em pontos considerados estratégicos, como cemitérios e depósitos de ferro velho ou sucata. A outra parte do trabalho é feita com base nas denúncias ou indicações de cidadãos, pelo telefone 156.

A maioria das denúncias, segundo Paz, é procedente. Mesmo que o foco do mosquito transmissor da dengue não seja encontrado – como tem sido o caso este ano -, os fiscais acabam constatando situações propícias à proliferação do inseto. Nesse caso, eles ou os próprios moradores eliminam o possível criadouro na hora. Mas Paz frisa que, se forem constatadas irregularidades frequentes em imóveis, o proprietário pode ser multado.