Mais de cem dos 868 participantes do Mais Médicos que vieram ao Paraná desde setembro de 2013 estão concentrados em Curitiba e nos nove municípios do seu entorno. Das dez prefeituras consultadas pelo Paraná Online na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), apenas São José dos Pinhais optou por não aderir ao programa criado pelo governo federal para melhorar o atendimento básico de saúde e suprir a falta de profissionais em regiões mais periféricas.

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Como mostrado na reportagem anterior, o reforço no efetivo se traduziu em aumentos de até 56,3% nos atendimentos realizados e reduziu em 52,7% os encaminhamentos a hospitais no Paraná, conforme dados do Ministério da Saúde. Porém, apesar dos números positivos, mesmo os municípios da RMC que receberam os médicos estrangeiros e brasileiros formados no exterior admitem dificuldades para contratar novos profissionais e melhorar a infraestrutura na área.

O diretor de Atenção Primária à Saúde da prefeitura de Curitiba, Paulo Poli, afirma que, no geral, a experiência tem sido muito boa com os 43 médicos que vieram para a capital. Apenas um desistiu por problemas pessoais e cada um tem atendido de 350 a 400 pessoas por mês. “Se bem feita, a atenção primária é capaz de resolver ou dar o devido encaminhamento para 90% das demandas de saúde da comunidade”, informa. A capital argumenta que o programa reduziu a necessidade de novos profissionais de saúde que existia antes da sua implantação.

A avaliação dos municípios da RMC que aderiram ao programa é positiva, seja pela redução de filas, aumento da oferta de consultas ou ampliação das equipes de Saúde da Família. Por outro lado, as carências das cidades na área de saúde são parecidas: falta de estrutura física; necessidade de realizar concursos públicos para preencher vagas de médicos, enfermeiros e auxiliares; e dificuldades financeiras para custeio do sistema e ampliação do quadro de pessoal.

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Exceção

A prefeitura de São José dos Pinhais optou por não participar do Mais Médicos devido à contrapartida do município (custeio de moradia, transporte e alimentação). Os salários dos profissionais, de R$ 10,4 mil, são pagos pelo governo federal. No caso dos cubanos, que são ampla maioria entre os participantes, o valor é repassado ao governo de Cuba, que repassa uma parte (em torno de R$ 3 mil) ao profissional.

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Confira no link a avaliação do Mais Médicos em cada um dos dez municípios procurados pela Tribuna.

Nova dinâmica no atendimento

Coordenadora da Unidade São Miguel, na CIC, a enfermeira Michele Dubas, conta que mesmo com 15 anos de enfermagem se surpreendeu com a forma de trabalhar do médico cubano Jorge Luís Gonzállez Llerena, apresentado na matéria de ontem. “Essa unidade tem uma tradição de décadas de bons médicos, mas ainda assim, a forma como ele trabalha chama atenção. Curativos que normalmente são de responsabilidade dos enfermeiros, ele pega para fazer. Nos intervalos ele se envolve com demandas da unidade, mesmo que seja para consertar uma cortina”.

Quanto à dificuldade de idioma e o risco de erro no diagnóstico ou na receita, Michele explica que a informatização dos processos e os protocolos da prefeitura dão conta de absorver o profissional sem esse tipo de vulnerabilidade. “Trabalhamos com os medicamentos genéricos e as receitas estão informatizadas, o médico precisar adequar a dose. Ele não apresentou maior dificuldade na comunicação”, explica. Desde maio o médico assume a jornada das 10h às 19h e uma hora de almoço. Segundo Michele, a unidade conta ainda com dois clínicos e dois pediatras. “Mesmo sendo uma unidade de atenção básica, estamos conseguindo trabalhar com a desmedicalização. O doutor Llerena tem conseguido atender de 25 a 30 pessoas por dia seguindo esses princípios que exigem mais tempo de consulta”, comenta.