Em outubro e novembro, escolas públicas do ensino básico das cinco regiões do país vão dizer ao Ministério da Educação (MEC) como elas recebem, convivem e que dificuldades têm em relação a uma série de questões do cotidiano, em especial a diversidade racial, a inclusão de alunos com deficiência, o estudante da escola rural e a educação de jovens e adultos. Os dados farão parte da Pesquisa Nacional sobre Diversidade na Educação que está sendo elaborada pela Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Segundo o diretor do Departamento de Avaliação e Informação Educacional da Secad, Jorge Telles, a coleta de informações tem o objetivo de mapear as atitudes de discriminação que têm impacto negativo no acesso, trajetória e permanência do aluno na escola. ?Queremos saber como as políticas atuais estão impactando na educação do brasileiro ao longo de sua vida escolar?, diz. O resultado do trabalho vai orientar o MEC na definição de políticas públicas para a diversidade na escola e ajudar a construir uma pesquisa quantitativa que será realizada em todos os estados em 2007.
Segundo Jorge Telles, a pesquisa vai ajudar a definir, por exemplo, novos conteúdos para a formação de professores, a capacitação do pessoal que trabalha na escola e orientar projetos como a Escola Aberta (que funciona nos fins de semana em áreas de risco social) e a Escola que Protege (que atua no combate à exploração sexual infantil). ?Temos especial preocupação em saber dados sobre a permanência do negro, do índio do deficiente, enfim, dos atores que são diferentes dos demais e que têm extrema dificuldade em terminar os estudos?, conta Telles.
O diretor explica que a pesquisa irá basear as políticas públicas do governo federal para que, ao longo do tempo, não seja mais necessária a aplicação de paliativos como o sistemas de cotas. ?Todos sabem que a escola não é para todos, por isso precisamos garantir vaga para quem não tem acesso ao terceiro grau. Mas a solução é desfazer esses desvios logo no ensino básico, para que todos cheguem com igual chance até a universidade.?
Metodologia
A Pesquisa Nacional sobre Diversidade na Educação será realizada em 32 escolas de 16 municípios nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraíba, Bahia, Goiás e Amazonas. Em cada município participarão uma escola da região metropolitana e uma escola rural ou que tenha alunos moradores no campo.
?Secretários estaduais e municipais de educação e diretores vão responder a um questionário. Já os professores, alunos, profissionais da escola, pais e a comunidade serão divididos em seis grupos para debater temas sugeridos pelos pesquisadores. Entre os temas estão o conflito de gerações entre alunos jovens e adultos, a aceitação de negros, indígenas, deficientes e estudantes da zona rural?, explica Telles.


