Cíciro Back / O Estado do Paraná
Chuva castiga moradores de Almirante Tamandaré.

A PR-092, que liga o município de Cerro Azul a Rio Branco do Sul, continua intransitável por causa das fortes chuvas que não dão trégua na região. O único acesso até a cidade é feito pela rodovia, que está passando por obras de pavimentação. Ainda faltam 56 quilômetros para serem asfaltados.

De acordo com o prefeito de Cerro Azul, Adejair Bestel, cerca de 9 milhões de caixas de laranjas são produzidas nessa época do ano, mas que não estão sendo comercializadas em virtude do problema. Ele também conta que os comerciantes da cidade reclamam constantemente do problema, que impede o desenvolvimento do município. “As obras na estrada já eram para estar concluídas, mas está tudo lento. Estamos isolados e tendo prejuízo. Não podemos fazer nada, só aguardar”, diz.

Londrina

Em Londrina, no Norte do Estado, a chuva também afetou o translado pelas estradas de terra da região. Parte dos estudantes da zona rural foram impedidos de chegar às escolas. As chuvas que caem no local desde o final de semana deixaram as estradas sem condições para que os ônibus pudessem buscar os alunos.

Como as faltas aumentaram, a Secretaria Municipal de Educação está preparando um calendário de reposição de aulas para ser posto em prática já a partir da semana que vem, se a chuva der uma trégua. A secretária de Educação, Carmem Baccaro, informou que alguns reparos estavam sendo feitos em trechos das estradas e que, com a chuva, se tornaram intransitáveis. “Mesmo com esse entrave, já entramos em contato com diretores das escolas e acertamos a reposição de aulas, para que nenhum aluno saia prejudicado”, afirma.

Capital

Em Curitiba e Região Metropolitana, na tarde de ontem, a chuva ocasionou transtornos para os moradores de algumas ruas que ficaram alagadas. O comerciante Ourival Batista, de 50 anos, conta que já presenciou quatro enchentes na região do bairro Cajuru, entre as ruas Luiz França e Maurício Fruet. Ontem, diz ele, “não foi diferente do que acontece com freqüência”. Ele afirma que algumas obras realizadas numa passagem de nível da linha férrea afetaram canos que passam no local. “Quando chove, eles (os canos) entopem e os alagamentos são comuns. A água invade os comércios e os prejuízos são grandes”, reclama. “Já protocolei um pedido para que os responsáveis resolvam o problema. A erosão é próxima aos trilhos e existe o perigo de acontecer algum acidente envolvendo o trem”, completa o comerciante.

Em Almirante Tamandaré, na Rua Pedreiras, os moradores foram obrigados a se molhar para passar pelo local. Até o final da tarde de ontem, o Corpo de Bombeiros não tinha registrado qualquer anormalidade.

Previsão

O Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar) informou que hoje ainda deve continuar chovendo em Curitiba e Região Metropolitana, no litoral e na região dos Campos Gerais. A partir de amanhã, a frente fria deve se deslocar para São Paulo, mas a chegada de uma massa polar deve derrubar as temperaturas, com risco de geada em todo o Estado na sexta-feira.

Ciclone é considerado normal

A Defesa Civil do Paraná informou ontem que o alerta meteorológico enviado pela Secretaria Nacional de Defesa Civil, do Ministério da Integração Nacional (Sedec), sobre a ocorrência de um ciclone extratropical no litoral dos estados do Sul, é um fenômeno normal nesta época do ano, com a presença de chuvas e ventos fortes em algumas regiões. “Realizamos o monitoramento normalmente e, quando se tem um aviso, reforçamos o alerta, inclusive com as coordenadorias regionais da Defesa Civil em todo o Estado”, conta o tenente Maurício Genero.

A principal orientação do instituto é de que as embarcações médias e pequenas do litoral não saiam para alto-mar, justamente por causa da formação de ondas de 2 metros a 3 metros de altura e com ventos de intensidade maior. Nas proximidades das praias, existe a possibilidade de ressaca, mas sem ondas grandes.

A Delegacia da Capitânia dos Portos de Itajaí (SC), porém, repassou ontem um aviso sobre os fortes ventos e mar grosso, não recomendando a partida de qualquer embarcação. (RCJ)

Serviço alerta sobre perdas nas lavouras

Brasília – O Ministério da Agricultura lançou um serviço de pré-alerta e alerta meteorológicos sobre riscos de perdas nas lavouras. O primeiro pré-alerta foi divulgado aos produtores de café do Paraná, que podem sofrer prejuízos por causa de geada. O serviço é prestado pela Rede Nacional de Agrometeorologia.

A Coordenação dos Serviços de Zoneamento e Monitoramento Agrícola do Ministério e o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), que integram a Rede Nacional de Agrometeorologia, alertam sobre risco de perdas nas lavouras de café por geada entre hoje e quinta-feira nos municípios paranaenses de Assis Chateaubriand e Ivaiporã.

A Rede Nacional de Agrometeorologia recomenda às empresas de assistência técnica regionais que orientem os agricultores sobre as medidas a serem adotadas para evitar maiores perdas da produção. No caso do Paraná, se o cafeeiro for pequeno, o produtor deve cobrir de terra toda a planta. Se for maior, deve cobrir de terra apenas o pé do cafeeiro.

Segundo o ministério, a Rede Nacional de Agrometeorologia está equipada para fazer o monitoramento dos empreendimentos rurais amparados pelo Seguro Agrícola Oficial (Proagro), com cruzamento de dados que permitem averiguar se os pedidos de cobertura coincidem com o número de contratos assinados pelos produtores passíveis de perdas por problemas climáticos.

Esse monitoramento contínuo pode, inclusive, recuperar dados que possibilitarão confirmar se as perdas de lavouras realmente ocorreram por eventos climáticos amparados pelo Proagro. Também permite verificar se o agricultor seguiu as recomendações de plantio do zoneamento agrícola. O ministério informa que o seguro só será pago aos produtores que seguirem as orientações quanto à cultura indicada para a região, as sementes recomendadas e a época ideal para o plantio.

A Rede Nacional de Agrometeorologia recebe diariamente dez imagens de satélite. Tem os dados das suas estações meteorológicas atualizados duas vezes por dia. A rede é resultado de uma parceria entre vários centros de pesquisa agrometeorológicos brasileiros. Entre eles, estão o Iapar, Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), unidades da Embrapa, Universidade de Campinas (Unicamp) e a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri).