Curitiba está entre as 21 cidades onde será realizada neste sábado a Marcha do Parto em Casa, que pretende promover a discussão sobre a opção das gestantes pelo parto domiciliar. A manifestação acontece entre 11h e 13h na Boca Maldita, com exposição de fotos e distribuição de materiais informativos sobre a prática. Londrina e Cascavel também participam do movimento.

O evento aborda assunto polêmico que veio à tona no domingo quando um obstetra defendeu a prática em programa de televisão e o Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro solicitou punição ao médico. “Nosso objetivo é mostrar para a sociedade que a escolha pelo parto domiciliar é respaldada pela ciência. É um direito preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS)”, afirma a responsável pela mobilização em Curitiba e acompanhante de parto, função chamada por doula, Inês Baylão.

Critérios

Ela esclarece que o parto domiciliar não é recomendado para todas as gestações e é preciso seguir alguns critérios. A definição que o nascimento do bebê pode acontecer em casa só é tomada a partir da 34.ª semana e aplicada apenas a gestantes de baixo risco. Além disso, a prática defende o pré-natal e o acompanhamento por médico ou enfermeiras obstetras no parto. “O que leva uma mulher a procurar o parto domiciliar é o desejo de viver livremente o processo. Os hospitais impõem muitas intervenções desnecessárias, a mulher tem que se submeter a determinadas posições e tomar medicamentos”, observa Inês. Em casa, argumenta, o ambiente é mais tranquilo, o que acalma a mãe e facilita o processo.

Reforço na humanização

A Secretaria Municipal de Saúde oferece o parto em ambiente hospitalar para o serviço público, pois a prática em casa exige estrutura complexa de profissionais e equipamentos. No entanto, a pasta investe na humanização do parto nos hospitais. “Temos procurado melhorar cada vez mais neste aspecto, com acesso à analgesia e métodos não medicamentosos, exercícios para as mães e acompanhamento pelos pais”, afirma a diretora do Centro de Epidemiologia da Secretaria Municipal da Saúde, Karin Luhm (foto). Ela ressalta ainda que no hospital a criança é imediatamente submetida a testes como o do pezinho e coraçãozinho e verificação auditiva, que detectam possíveis doenças.