Foto: Silvino Garcia/Jornal do Iguaçu

Os manifestantes não deixaram passar qualquer carro pela ponte, fechando o trânsito totalmente.

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Taxistas, mototaxistas e motoristas de transportes alternativos de Ciudad del Este mantiveram fechada a Ponte da Amizade para o tráfego durante todo o dia de ontem. A manifestação, que começou ao meio-dia de terça-feira, não tinha previsão para acabar, segundo representantes da categoria. O protesto é contra a apreensão dos veículos, uma vez que os taxistas têm como clientes em potencial os sacoleiros, compradores que esperam no lado brasileiro pela passagem das mercadorias trazidas do Paraguai.

A indignação dos motoristas começou depois que a Receita Federal resolveu apertar o cerco na fiscalização de veículos, depois das apreensões constantes de ônibus no ano passado. A pretensão da categoria é negociar uma intervenção do presidente do Paraguai, Nicanor Duarte Frutos, na questão.

Na tarde de ontem, a informação era de indefinição por parte dos manifestantes. ?Dependemos das autoridades?, afirmou o taxista Demécio Peralta, da Associação dos Taxistas de Ciudad del Este. Ontem, o cenário era irreconhecível na fronteira: a ponte ficou vazia, já que a passagem era bloqueada para todos os tipos de veículos. ?Está tudo trancado. Se precisar, talvez possa passar ambulância?, completou o taxista. Segundo ele, o problema que motiva o protesto é a aduana brasileira e o modo como tem atuado no que se refere aos meios de transporte. ?Estão pegando muitos taxistas e apreendendo os carros. Mas temos que levar as mercadorias. Esse é o nosso trabalho?, justifica o motorista, dizendo que o transporte para os sacoleiros responde pela maior parte da rentabilidade dos taxistas, mototaxistas e alternativos. ?E ainda cobramos barato?, retruca. Enquanto isso, ninguém sai ou entra pela Ponte da Amizade no lado paraguaio. Turistas brasileiros, inclusive, estão impedidos de retornar ao Brasil.

A explicação por parte da Receita Federal é que as apreensões são apenas o cumprimento da lei e que a fiscalização de veículos, de qualquer natureza, é parte integrante da Operação Fronteira Blindada, que em 2005 apreendeu centenas de ônibus de sacoleiros com mercadorias ilegais.

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O regulamento aduaneiro brasileiro, cita a assessoria de imprensa da Receita, determina que para fazer o transporte de carga comercial internacional é preciso possuir autorização, e que o serviço é feito pelas empresas transportadoras especializadas. Segundo a assessoria, os táxis não são habilitados para isso, embora os motoristas acreditem que possam carregar mercadorias compradas no Paraguai para fins de venda no Brasil. Para a Receita, a quantidade de mercadorias nos automóveis comprova destinação comercial e, com isso, não confere direito às cotas de compra, uma das alegações que os motoristas vêm usando para justificar os carregamentos.

A fiscalização dos automóveis e combate ao descaminho e contrabando na fronteira são justificados pela Receita Federal como determinações cumpridas não apenas em Foz do Iguaçu, mas em todas as regiões fronteiriças do País. A estimativa é que, somente na fronteira delimitada pela Ponte da Amizade, cerca de dois mil veículos sejam apreendidos até o final deste ano. Quanto às perspectivas de reabertura da ponte, até o final da tarde de ontem os representantes das associações de taxistas que coordenam a manifestação ainda não haviam conseguido conversar com o presidente paraguaio, o que mantém a indefinição nas negociações e a conseqüente perspectiva de mais um dia de bloqueio total.

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