Preservação

Lobo-marinho ganha chip rastreador após resgate no Litoral do Paraná

Imagem mostra lobo-marinho sendo solto no mar por pesquisadores da Universidade Federal do Paraná
O animal passou por processo de reabilitação e recebeu cuidados veterinários até ser considerado apto para soltura

Um lobo-marinho-sul-americano (Arctocephalus australis) resgatado no litoral paranaense foi devolvido ao oceano no fim do mês de julho. Ele passou por processo de reabilitação conduzido pelo Laboratório de Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná (LEC-UFPR) e recebeu um transmissor via satélite. O dispositivo permitirá à equipe acompanhar seus deslocamentos e colher informações sobre o comportamento da espécie na costa brasileira.

O animal, um macho jovem com cerca de 1,20 metro de comprimento e 18 quilos, foi encontrado durante monitoramento dos pesquisadores da UFPR feito no âmbito do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), no balneário Shangri-lá, em Pontal do Paraná. 

Ele foi encaminhado ao Centro de Reabilitação, Despetrolização e Análise da Saúde da Fauna Marinha (CReD) e recebeu cuidados veterinários até ser considerado apto para retornar à natureza.

De acordo com a bióloga Liana Rosa, gerente operacional do PMP-BS/LEC-UFPR, as informações comportamentais obtidas com o monitoramento poderão subsidiar futuras ações de conservação. “Embora o lobo-marinho-do-sul seja uma das espécies de pinípedes (grupo de mamíferos carnívoros que vivem na água e na terra) mais registradas no litoral paranaense, ainda conhecemos pouco sobre seus deslocamentos, áreas de descanso e permanência na costa brasileira”, afirma. 

O transmissor instalado pesa cerca de 140 gramas, mede 8,3 por 5 centímetros e foi desenvolvido para uso específico em mamíferos marinhos. Ele fica fixado à pelagem do animal e se desprende naturalmente após um período, sem interferir em sua mobilidade. Quando o lobo-marinho sobe à superfície para respirar, o aparelho emite sinais que permitem construir um mapa com seu percurso.

“Isso nos dá uma série de informações: quais são as áreas que esses animais estão utilizando após a soltura e os processos de reabilitação, se eles estão se alimentando, se estão mergulhando… Nos ajuda a entender tanto os padrões de deslocamento como o sucesso dos nossos processos de reabilitação”, conta Liana.

Além da tag localizadora, os pesquisadores coletaram amostras biológicas, implantaram um microchip e colocaram um brinco de identificação na nadadeira torácica para facilitar futuros registros e pesquisas.

Lobo-marinho pode voltar ao Litoral do Paraná

O lobo-marinho-sul-americano forma colônias reprodutivas principalmente na Argentina, no Uruguai e no sul do Chile. Durante o inverno, é comum que alguns deles, principalmente mais jovens, utilizem praias e ilhas das regiões Sul e Sudeste do Brasil como áreas temporárias de descanso durante deslocamentos em busca de alimento.

Esta foi a segunda soltura de um pinípede monitorado por satélite realizada pelo laboratório da universidade neste ano. Em janeiro, um filhote de elefante-marinho-do-sul (Mirounga leonina) também foi devolvido ao mar após reabilitação com o mesmo tipo de acompanhamento.

Mesmo após a soltura, o lobo-marinho poderá voltar a ser visto no litoral paranaense. Nesses casos, a orientação dos pesquisadores é que a população mantenha distância, não toque nem alimente o animal, afaste animais domésticos e comunique imediatamente a equipe responsável pelo monitoramento. O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos pode ser contatado pelos números 0800-642-3341 ou (41) 99213-8746 (WhatsApp).

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