Curitiba e municípios da região metropolitana podem ficar sem ter onde depositar seus resíduos a partir do próximo ano. Porém, pouca coisa parece ter sido feita nos últimos meses para resolver a questão.

Ontem, o assunto foi novamente discutido na Assembleia Legislativa do Paraná, na capital, em audiência pública organizada pela Comissão de Ecologia e Meio Ambiente.

Atualmente, cinco proponentes participam da concorrência pública para implantação do Sistema Integrado de Processamento e Aproveitamento de Resíduos Sólidos (Sipar), que irá substituir o aterro da Caximba, que está com sua vida útil esgotada.

Segundo a secretária executiva do Consórcio Intermunicipal do Lixo e coordenadora de resíduos sólidos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Curitiba, Marilza Dias, a escolha da vencedora depende apenas de uma liminar do Tribunal de Contas (TC).

“Vamos escolher a empresa que tenha a combinação da melhor técnica com o melhor preço (o valor máximo para tratamento dos resíduos deve ser de R$ 73,00 a tonelada, sendo que os preços das proponentes variam de R$ 35,00 a R$ 56,00)”, comenta. “Queremos um sistema que possibilite a separação mecanizada do lixo e o máximo de aproveitamento. Com o Sipar, no máximo 15% dos resíduos serão rejeitos e terão como destino o aterro sanitário”.

Recentemente, o presidente do IAP, Vitor Hugo Burko, mostrou-se contrário à intenção da prefeitura de Curitiba em estender a vida útil da Caximba em 12 meses (até o final de 2010).

Como solução emergencial ao problema da destinação do lixo, ele propôs a construção de uma vala provisória, num dos locais já licenciados para implantação do Sipar.

“A vala seria uma alternativa provisória, caso a Caximba não possa mais receber lixo a partir do próximo mês de janeiro. Ela teria todas as condições de engenharia e poderia ser instalada numa das áreas já licenciadas”, explica Ana Cecília.

Mandirituba

Também falta definir o local onde o Sipar será instalado. Três áreas já têm licença prévia do Instituto Ambiental do Paraná (IAP): Curitiba (nas proximidades da Caximba), Fazenda Rio Grande e Mandirituba.

Esta última é a única que ainda não foi licenciada pelo IAP. Em Mandirituba, uma lei municipal impede que o município receba o lixo. Na última terça-feira, mais uma vez a votação que poderia reverter a lei, que ocorreria na Câmara de Vereadores de Mandirituba, teve que ser adiada.

Dessa vez, cinco dos nove vereadores faltaram e a ordem do dia não pôde ser realizada. Os cinco parlamentares são aqueles favoráveis à reversão da lei. Eles justificaram a ausência pela falta de segurança no local. Na semana passada, um tumulto impediu a sessão.

A polícia teve que ser chamada e até cadeiras “voaram” na Câmara. Na última terça-feira, vários carros da Polícia Militar e da Guarda Municipal garantiam a segurança no local.