Foto: Átila Alberti/O Estado

Bairro Saivá, onde está localizado o lixão de Antonina, abriga muitas chácaras.

O local onde é depositado todo o lixo de Antonina, no litoral do Estado, está deixando os moradores da cidade preocupados. De acordo com eles, a capacidade do lixão se esgotou há anos e os resíduos são jogados em áreas próximas ao depósito com a capacidade saturada. Na região, existem muitos córregos e os moradores temem que eles estejam contaminados com o chorume originado pelo lixo.  

Os moradores relatam que não existe mais espaço para colocar os resíduos no local designado pela Prefeitura. A quantidade de lixo é tão grande que chega a bloquear a rua de acesso ao lugar. A região onde está instalado o lixão, no bairro Saivá, abriga muitas chácaras. Por causa do lixo acumulado na pista, fica difícil chegar em algumas propriedades.

Segundo os moradores, de vez em quando um caminhão da Prefeitura empurra o lixo para outro local, desobstruindo a rua. O lixo é jogado no local sem tratamento adequado e os moradores acreditam que para lá também vão resíduos hospitalares, que necessitam de um tratamento diferenciado. O chorume, líquido proveniente da decomposição do lixo, escorre para perto dos córregos. Estes são afluentes para importantes rios da região, como o Nhundiaquara e o São João, conforme relato dos moradores.

Os córregos também desaguam na Baía de Antonina. Além da água, o solo também pode estar contaminado. Os moradores comentaram que parte do lixão já foi aterrada. Alguns catadores de material reciclável tiram o sustento no depósito. Eles trabalham no meio de todos os tipos de resíduos e dividem espaço com os urubus e os insetos.

Na sexta-feira passada, quando a reportagem de O Estado esteve no local, havia um trator da Prefeitura realizando alguns trabalhos no lixão. O Ministério Público Estadual já pediu explicações ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) sobre a situação do lixão e nos próximos dias vai oficiar a Prefeitura. Dependendo da resposta, a promotoria pensa em propor uma ação civil pública para forçar a resolução do problema. A reportagem também procurou a Prefeitura na última sexta-feira, mas o expediente vai apenas até as 14h e não foi possível localizar ninguém para falar sobre o assunto. Ontem, após outra tentativa, não houve retorno. O IAP também foi questionado, mas a assessoria de imprensa não deu retorno.