O Aqüífero Guarani possui 1,2 milhão de quilômetros quadrados e abrange quatro países (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai), sendo um dos três maiores do mundo. No entanto, seu potencial econômico ainda é pouco explorado. Essa é uma das conclusões apresentadas no primeiro livro publicado sobre o assunto. Aqüífero Guarani: riqueza sul-americana será lançado nesta quinta-feira, às 19h, no Ecomuseu de Itaipu, em Foz do Iguaçu.
Uma das pesquisadoras, Nadia Rita Boscardin Borghetti, comenta que o grupo resolveu lançar a obra porque a sociedade ainda não conhece ou sabe muito pouco sobre o aqüífero. “A maioria das publicações e estudos sai em revistas científicas, às quais, de um modo geral, a população não tem acesso”, revela.
Ela explica que, ao contrário do que muita gente imagina, o aqüífero não é um mar de água subterrâneo. É uma rocha porosa e permeável que armazena água, ao mesmo tempo que permite a sua circulação. Outra descoberta feita recentemente é que se a água for poluída em uma cidade, não vai afetar as demais áreas do Guarani porque ele é formado por grandes blocos que não possuem comunicação entre si.
Existem várias finalidades para a água armazenada no subsolo. Uma delas é o consumo humano, como já é feito na cidade de Ribeirão Preto (SP). Lá, 90% da cidade é abastecida pelo aqüífero. Isso pode ser feito quando a água se encontra na área próxima de afloramento, onde é mais fácil captá-la.
O restante não pode ser consumido sem um tratamento prévio, mas possui finalidade econômica. No Paraná e em Santa Catarina, por exemplo, já existem vários complexos termais. Em alguns pontos a água chega a 54ºC, sem contar que possui alto teor de sulfato, que tem função cicatrizante.
Indústrias e agropecuária também poderiam aproveitar a água. Mas Nádia alerta que é necessário fazer estudos para verificar a quantidade que pode ser explorada. Caso contrário, o reservatório pode se exaurir ou ocorrer problemas como os já constatados em Ribeirão Preto e na Região Metropolitana de Curitiba, com a exploração do Aqüífero Karst. Nesses locais, apareceram buracos nas propriedades.
Cerca de 70,2% do aqüífero está no Brasil e atinge os estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. A Argentina possui 18,9%, o Paraguai 16% e o Uruguai 4,9%. Mesmo tendo a menor parte, o Norte do País movimenta US$ 120 milhões proveniente de termas. Participaram também da pesquisa José Roberto Borghetti e Ernani Francisco da Rosa Filho.