Os feriados próximos à temporada de verão fazem com que comerciantes de Matinhos e Caiobá alimentem expectativas para quando o calor chegar. Animados com a idéia de vender mais, eles se preocupam apenas com as condições da praia; temem que, mais uma vez, o verão seja marcado por más notícias com relação à balneabilidade e que os efeitos das ressacas de inverno prejudiquem a estadia dos turistas. O consenso é que falta investimento nessa faixa do litoral, responsável por boa parte do movimento proporcionado pelo turismo no Estado.
O comerciante Sérgio Souza, dono de um supermercado na beira da praia de Caiobá, é um exemplo do otimismo caiçara. ?Se Deus quiser vai ser boa a temporada. A gente viu pelo pessoal que desceu no feriado passado (7 de setembro); é um espelho do que deve acontecer no verão?, estima. No verão anterior, nem tudo correu como devia, para ele. ?Não foi tudo que a gente esperava, mas a cada ano a esperança é que aumente o número de visitantes.?
Mas há uma condição para isso: ?Acho que falta melhorar a praia para prender o turista. Estamos carentes de investimentos para chamar a atenção de quem chega?. A alternativa para ele seria resolver o problema do mar, que avança cada vez mais sobre a orla, e divulgação dos atrativos. ?Não temos nada de propaganda do litoral paranaense. Se fosse mais lembrado, aumentaríamos inclusive o número de visitantes nos finais de semana, durante todo o ano?, acredita o comerciante.
Dono de uma loja de roupas em Caiobá, Antônio Carlos dos Santos veio de Fortaleza há nove anos e, a cada temporada, diz que vê o número de visitantes cair. ?Acho que falta investir nesse litoral. Em Matinhos está tudo quebrado e, aqui, o mar também está avançando muito. Isso afasta o turista?, reclama.
Opinião que é compartilhada pelo diretor da Associação Comercial e Empresarial de Matinhos, Carlos Dalberto Freire, dono de um restaurante na cidade. A rede de esgoto e a estação de tratamento que eram para estar prontas no final do ano não tiveram as obras terminadas, segundo o comerciante. ?Um investimento de mais de R$ 200 milhões que não foi finalizado por conta de problemas com a empreiteira que executava as obras?, conta. Ele teme que, por isso, os problemas com a balneabilidade se repitam este ano – o que rendeu má repercussão para as praias do Paraná na temporada passada.
No que diz respeito à praia, o diretor acredita que não tem a ver com falta de vontade da administração pública, mas com as discussões ainda em vigência entre governo e ambientalistas. ?Iam trazer areia do porto, o que não aconteceu.? A promessa teria sido feita no ano passado pelo prefeito de Matinhos, Francisco Carlim dos Santos. ?Mas não adianta medidas paliativas quando o que precisamos é de uma solução em definitivo.? A opção seria a instalação de dissipadores de energia no fundo do mar, que impedem que mudem as correntes e a areia do fundo seja levada.
Se resolvidos os problemas, acredita o empresário, a classe comercial deve se unir para vender o litoral paranaense do jeito que merece. ?Temos abastecimento da melhor qualidade e, apesar do pedágio, a estrada é boa. O que falta é preparar a cidade para o turismo. O litoral do Paraná é bonito, mas, infelizmente, está abandonado.?


