O governador em exercício, Orlando Pessuti, e o chefe da Casa Civil, Caíto Quintana, receberam ontem líderes indígenas no Palácio Iguaçu. O grupo reivindicou a ajuda do governo do Estado para agilizar a demarcação das terras dos índios xetás. Questões relativas à educação das crianças indígenas também foram discutidas. O grupo encontrará hoje o secretário da Educação, Maurício Requião, para tratar do assunto.
O vice-presidente do Conselho Nacional dos Povos Indígenas, Pedro Cornélio Seg-Seg, solicitou a interferência do governo também para que 50% do ICMS ecológico de municípios com aldeias indígenas seja encaminhado às tribos, conforme determina a legislação.
O secretario do Trabalho, Emprego e Promoção Social, padre Roque Zimmermann, recebeu os representantes das lideranças indígenas para discutir as ações voltadas à qualificação profissional dos índios no programa Fome Zero. Na reunião, realizada no fim da tarde de segunda-feira, estavam presentes Sabrina Parrino, representante do programa Fome Zero no Paraná, Edívio Batistelli, assessor estadual para assuntos indígenas.
“Sabemos da importância de buscar parcerias, principalmente na área da agricultura”, disse Batistelli. “Muitos de nossos índios trabalham como bóias-frias e queremos que eles sobrevivam de seu próprio plantio.” O assessor afirmou também que a qualificação do índio proporciona a ampliação de sua cultura. “Queremos cursos voltados à área agrícola, carpintaria, informática, cursos de pedreiro e eletricista”, ressaltou Batistelli. “Assim o índio participa do processo de interação com a sociedade.”
Seg-Seg quer parcerias para valorizar o índio. Entre suas metas, encontra-se a criação do turismo indígena. “Temos que preservar a cultura do nosso povo, principalmente porque existem várias gerações e precisamos mostrar à sociedade todo o conhecimento indígena”, explicou Sig Sig.
Já foi iniciado no Estado o cadastramento para o cartão indígena. O cartão será feito, provavelmente, em parceria com o Banco do Brasil. O pagamento do Cartão Alimentação para os índios será por cartão coletivo. A idéia é inédita e partiu do Paraná, em negociações de padre Roque com o ministro extraordinário de Segurança Alimentar e Combate Fome, José Graziano da Silva.
Em paralelo, o programa Fome Zero, juntamente com a Funai, Funasa e Orcip-Curim (associação indígena), as instituições estão promovendo um levantamento para identificar índios que estão fora das aldeias e moram na Região Metropolitana de Curitiba. “A partir desse levantamento serão analisadas as possibilidades do programa Fome Zero ajudar também os índios que estão fora das aldeias, por meio de um cartão individual”, comentou padre Roque.


