Peso da mochila não é o único fator de
risco à saúde do aluno que a carrega:
condicionamento é importante.

Os problemas na coluna vertebral vão muito além da quantidade de livros e cadernos que as crianças costumam carregar nas mochilas. O peso da criança e o condicionamento físico são fatores que contribuem para o aparecimento das doenças. Segundo o especialista em ergonomia ocupacional Ricardo Wallace da Chagas Lucas, estudos mostram que 95% das complicações na coluna ocorrem em pessoas com baixo nível de condicionamento físico.

Ricardo diz que muitas vezes os pais ficam preocupados só com o peso da mochila e não percebem outros fatores. Além de muito material escolar, as crianças vivem muito sedentárias e isto provoca um baixo condicionamento físico, facilitando o aparecimento de problemas. A má alimentação também integra a lista. Ele explica que muitas vezes uma criança obesa não suporta o mesmo peso que uma com o peso normal, já que seu nível de condicionamento tende a ser mais baixo. Por isto, cada criança tem uma cota específica de materiais que pode carregar.

Para evitar os problemas na coluna, é importante os pais se preocuparem com o tipo de atividade física desenvolvida na escola, que deveria proporcionar o condicionamento necessário. Também é importante questionar o tipo de lanche servido nos colégios, como frituras e refrigerantes, pois eles ajudam a criança a se tornar obesa. Mas o cuidado não serve só para a escola, a alimentação em casa também deve ser adequada e, Ricardo frisa que o exemplo vem dos pais.

Outra medida necessária é a alteração do planejamento pedagógico das atividades, evitando que os livros sejam levados todos os dias para a casa. Uso de armários ajudaria neste ponto. Outras alternativas seriam a distribuição dos livros em fascículos e, para completar, as atividades de casa poderiam ser enviadas pela internet.

Nathalia Terra Ferreira e Souza, de 12 anos, aluna da sétima série de um colégio da capital, sabe bem do que o médico está falando. Ela reclama que todos os dias leva para a escola entre quatro e cinco livros, além do fichário de anotações e o estojo. Com isto acaba tendo dores de cabeça freqüentes e nas costas. Ela e os colegas já sugeriram ao colégio a adoção de armários, mas a medida foi considerada impossível devido a falta de espaço. Nathalia foi ao médico pedir ajuda. Ele sugeriu a troca da mochila normal por uma de carrinho. O problema é que nenhum adolescente quer usar este tipo de bolsa. Mas o especialista também não recomenda a mochila com as rodinhas. A criança anda com o corpo torto e isto pode causar outros problemas.

Mas se o excesso de peso traz problemas, a falta dele também. “A criança precisa fortalecer os músculos”, explica Ricardo. Por isto os pais não devem carregar o material para os filhos.

O peso ideal

Além do condicionamento físico e do peso de cada um, o médico Gabriel Paulo Skroch, chefe do serviço de ortopedia do Hospital de Clínicas da UFPR, completa dizendo que na hora de arrumar a mochila os pais devem usar o bom senso e não pôr peso demais ao qual eles não deixariam os filhos carregar em situações normais do dia a dia. O excesso pode provocar alterações na coluna e evoluir para doenças como sifose, escoliose e lombalgia, que às vezes são descobertas muito tarde. Só tratamentos complicados, que incluem cirurgias resolvem.

Outro conselho importante, é não comprar mochilas grandes, pois os pequenos e os adolescentes acabam levando mais coisas do que o material escolar.

A observação é um dos meios para os descobrirem se os filhos apresentam problemas na postura. O corpo pendido com freqüência para um dos lados ou cansaço freqüente são sinais do problema e um especialista deve ser consultado.