Há dois anos, entrava em vigor, em Curitiba, a lei municipal 13.254/2009, mais conhecida como Lei Antifumo, que proibiu o consumo de cigarro em estabelecimentos comerciais fechados.

Para comemorar a redução do número de fumantes em consequência do sucesso da legislação, a Prefeitura Municipal de Curitiba realiza neste sábado (26) um evento na Boca Maldita para conscientização da população que ainda fuma.

Segundo dados da Secretaria Municipal da Saúde, desde que a lei entrou em vigor, o número de fumantes passou de 21,5% para 17% da população, fazendo com que Curitiba perdesse o posto de segunda capital com maior número de usuários, ficando em quinto. Das 9h às 13h30, equipes da Secretaria Municipal de Saúde fazem exames em fumantes e dão orientações sobre como parar de fumar.

Os testes são feitos com aparelhos com bocais descartáveis que medem a quantidade de monóxido de carbono (CO) retida nos pulmões da pessoa. “Essa substância é proveniente da queima do cigarro e é tóxica, independente da quantidade presente no organismo. Não há nível seguro para exposição à fumaça, pois um cigarro por dia é suficiente para o monóxido de carbono prejudicar a saúde de uma pessoa”, explica o coordenador do Programa de Controle do Tabagismo em Curitiba, João Alberto Lopes Rodrigues.

O aparelho aponta o grau de intoxicação do fumante, variando entre as cores verde (não fumantes) e vermelho (fumante pesado ou suspeita de envenenamento), passando pelo amarelo (fumante leve).

Mesmo aqueles que não fazem uso do cigarro, mas convivem diariamente com a fumaça, os considerados fumantes passivos, podem apresentar alterações na concentração de monóxido de carbono no organismo.

Independente da quantidade da substância retida nos pulmões, a orientação para quem apresentar qualquer tipo de alteração no exame é que “procure a unidade de saúde mais próxima de sua casa para iniciar o tratamento”.

De acordo com o médico sanitarista, o tabagismo é responsável por 30% das mortes por câncer em todo o Brasil. Além disso, está associado a diversas outras patologias, que podem ser evitadas com o abandono do consumo de cigarro.

“A nicotina está muito relacionada com a ocorrência de determinadas doenças. 90% dos casos de câncer de pulmão e 85% das ocorrências de enfisema pulmonar são evitáveis se o fumante largar o cigarro”, alerta.

Iniciativa

A comerciante Rosi Batista é uma das pessoas que esteve na barraca da Boca Maldita neste sábado, pedindo orientações para parar de fumar. Há mais de 20 anos, ela consome pelo menos uma carteira de cigarros por dia, fazendo com que o resultado de seu exame fosse vermelho, que representa fumante pesado.

As tentativas de largar o vício sempre foram frustradas porque o marido, Ciro, também é fumante e “logo que aparece o primeiro problema, já quero voltar”. No entanto, o casal está decidido a tentar abandonar a nicotina mais uma vez.

Após receber as orientações dos profissionais da Secretaria Municipal da Saúde, Rosi já traçou a estratégia que deve seguir nos próximos dias. “Quando voltar para casa, vou conversar com o meu marido para pensarmos uma data para parar e na segunda-feira mesmo já vou ao posto de saúde lá perto de casa saber mais sobre o tratamento”, afirma a comerciante, confiante. Ela mesma admite que sente os efeitos negativos do cigarro em seu organismo, como falta de ar e cansaço.