Irregularidades

Lar de idosos no Paraná é interditado por superlotação e uso de remédios sem receita

Fotografia em ambiente coberto mostrando idosos sentados em fileira em cadeiras brancas, vistos de perfil e de costas. Em primeiro plano, um idoso de boné escuro e casaco cinza segura uma bengala de madeira. Ao seu lado, outro idoso de calvície pronunciada veste um suéter azul. Próximo a eles há um andador metálico e, ao fundo, desfocado, vê-se uma pessoa em pé caminhando com muletas.
Instituição em Ibaiti abrigava 53 residentes. Foto: Arquivo/Daniel Derevecki/Gazeta do Povo.

Um lar de idosos foi interditado por irregularidades administrativas e sanitárias em Ibaiti, no Norte Pioneiro do Paraná. A decisão atende a um pedido do Ministério Público do Paraná (MPPR) à Vara da Fazenda Pública, protocolado em agosto, e determina a suspensão da admissão de novos residentes, além do início do processo de desativação da instituição.

O estabelecimento abrigava 53 residentes, quase o dobro da capacidade informada nos documentos administrativos, de 27 pessoas. Desde 2022, a Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI) era alvo de acompanhamento por problemas sanitários, estruturais, administrativos e assistenciais.

Segundo a ação, mesmo após a interdição administrativa, o estabelecimento continuou funcionando e admitindo novos residentes. Entre os acolhidos estão dez pessoas com deficiência e menos de 60 anos, que ocupavam o mesmo espaço destinado aos idosos sem as adaptações necessárias.

Entre as demais irregularidades apontadas estão a falta de licença sanitária e de projeto arquitetônico aprovado, ausência de acessibilidade, número insuficiente de cuidadores e falta de profissionais devidamente qualificados. Com a interdição, a instituição será acompanhada pela Prefeitura e pela Vigilância Sanitária até que todos os residentes sejam transferidos.

Medicamentos sem receita e cartões retidos

Durante as fiscalizações, realizadas em 2025, foram encontrados dormitórios superlotados, forte odor de urina, escadas íngremes e sem proteção adequada, terraço considerado inseguro, acúmulo de lixo e materiais sem utilidade, além de armazenamento precário de alimentos.

Na ação, uma enfermeira relatou ter administrado clonazepam — tranquilizante que causa efeitos sedativos — sem prescrição médica e em doses elevadas com o objetivo de induzir os residentes ao sono. Também foram relatados procedimentos de cuidado realizados por pessoas sem habilitação técnica, além de episódios de possíveis agressões físicas e psicológicas.

A apuração também identificou relatos de alimentação inadequada e retenção de cartões bancários e benefícios dos residentes.

Pacientes serão transferidos

Os moradores deverão ser encaminhados para outras instituições ou serviços adequados às necessidades de cada um. A prioridade será dada aos residentes em situação de risco clínico ou sanitário imediato e a pessoas acamadas ou com mobilidade reduzida. Nenhum residente poderá ser retirado da instituição sem que exista um destino previamente definido, exceto em situações de urgência médica.

A administração municipal também deverá comunicar as cidades de origem dos 37 residentes que não são domiciliados em Ibaiti. A medida permitirá que as administrações municipais participem do planejamento e do custeio dos encaminhamentos.

Para as dez pessoas com deficiência, a decisão determina que não haja encaminhamento automático para outra instituição. O planejamento deverá avaliar individualmente alternativas como o retorno ao convívio familiar, o acolhimento em residência inclusiva ou a inclusão em outro serviço compatível com as necessidades de cada pessoa.

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