Desde ontem, os filiados às operadoras de planos de saúde ligadas à Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abrange) estão tendo que pagar para realizar exames laboratoriais no Paraná. A exemplo do que já havia acontecido com os médicos em todo Brasil, os representantes dos laboratórios do Estado decidiram não mais realizar os exames de forma gratuita.

Agora, eles cobram e emitem notas fiscais, que devem ser reembolsadas pelas operadoras. “Caso a pessoa não consiga o reembolso, deve procurar o Procon”, afirmou o presidente da Associação dos Laboratórios de Análises de Patologia Clínica, Fitologia e Anatomia do Paraná, Ricardo Moita da Silva.

Silva contou que há oito anos os laboratórios não recebem reajuste nos valores pagos pelas operadoras. “Nossa perda deve ser em torno de 200%, mas para voltar a atender essas operadoras, precisamos de no mínimo reajuste entre 15% e 20%”, disse, destacando que sem isso os laboratórios só atenderão mediante pagamento.

Silva afirmou que não teme o afastamento dos clientes. “Muitas vezes sai mais caro pagar por um plano de saúde todo mês do que fazer algum exame de maneira esporádica”, salientou.

A cobrança aos usuários será feita com valores da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM). “As operadoras da Abrange são 22. As outras 25 da Associação das Entidades do Paraná em Autogestão em Saúde (Acepar) estão negociando conosco, de forma individual. Mas o prazo para que aconteça um acerto é a próxima semana. Caso contrário, também iremos cobrar pelos exames dos usuários dessas operadoras”, disse.

A Unimed é a única operadora de plano de saúde que está fora das decisões dos laboratoristas. “O Paraná não é o único Estado a adotar esse tipo de procedimento. Temos notícias que os laboratórios estão rompendo com as operadoras em outros locais também”, afirmou.