Um artigo publicado na revista internacional Frontiers in Public Health, com sede na Suíça, destacou o Laboratório Central do Estado do Paraná (Lacen-PR) como referência mundial no combate à resistência antimicrobiana (AMR), quando bactérias deixam de responder aos antibióticos. O modelo adotado no Paraná hoje é usado como base em todo o Brasil.
No país, a estimativa é de cerca de 33,2 mil mortes diretas por ano causadas por bactérias resistentes. O estudo mostra que a presença de genes de resistência, como o New Delhi Metalo-betalactamase (NDM), cresceu de 4,2% em 2015 para 23,8% em 2022. O avanço foi acelerado durante a pandemia da Covid-19.
O artigo analisa as estratégias brasileiras para diagnóstico e uso de antibióticos e aponta o papel central do Paraná na coordenação de ações nacionais. O trabalho é assinado pelo pesquisador Marcelo Pillonetto, do Lacen-PR, e por Marcelo Carneiro, da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), além da colaboração de revisores e editores de outros países.
O reconhecimento é resultado de uma decisão estratégica do Ministério da Saúde. Por meio da Coordenação Geral de Laboratórios de Saúde Pública (CGLAB), o Lacen-PR foi definido como Laboratório de Referência Nacional para o projeto BR-GLASS, que integra o programa global da Organização Mundial da Saúde (OMS) para vigilância da resistência antimicrobiana.
Paraná verifica ações em todo o país
O sistema GLASS segue um padrão internacional para coletar e analisar dados entre países. Um dos diferenciais destacados no estudo é que a vigilância no Brasil passou a incluir não só informações laboratoriais, mas também dados clínicos, epidemiológicos e populacionais.
Na prática, isso significa que os dados coletados em todo o país passam por validação técnica no Paraná antes de serem enviados para as bases internacionais. Enquanto a CGLAB atua na coordenação administrativa, o Lacen-PR é o principal ponto de referência técnica laboratorial.
O estudo, publicado em 15 de janeiro, também mostra que o uso de tecnologias rápidas no Programa VigiRAM reduziu em até 39 horas o tempo para identificar enzimas de resistência. Isso permite iniciar o tratamento correto mais cedo e ajuda no controle de surtos hospitalares.
A diretora do Lacen-PR, Célia Fagundes Cruz, afirma que o reconhecimento internacional reflete investimentos contínuos. “Esse destaque mostra o investimento do Governo do Estado em infraestrutura e na capacitação da equipe. Hoje, o Lacen do Paraná é o coração de uma rede que garante dados confiáveis e alta tecnologia para a saúde no Brasil e no mundo”, disse.
O programa tem como objetivo fortalecer um sistema nacional para monitorar, prevenir e combater a resistência antimicrobiana no Brasil. Atualmente, o Paraná participa com cinco hospitais integrados à rede.
O modelo liderado pelo Paraná segue o conceito de Uma Só Saúde (One Health), que integra o monitoramento da saúde humana, animal e ambiental. Após a publicação, o estudo já registrou acessos de pesquisadores das Américas, Europa, África e Ásia.



