O Superior Tribunal de Justiça condenou a 23 anos de prisão e à perda do cargo público por crimes de corrupção passiva o auditor da Receita Estadual do Paraná Jorge de Oliveira Santos. A decisão foi proferida pelo ministro Joel Ilan Paciornik. A defesa promete recorrer.

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Em 2016, Santos foi preso pelo Gaeco, na Operação Mercúrio, um desdobramento da Operação Publicano, que investigou um suposto esquema de propinas envolvendo fiscais da Receita Estadual em Londrina. À época, o auditor foi acusado de exigir R$ 300 mil de uma empresa que sonegou impostos. Santos havia sido condenado a 29 anos pelo Tribunal de Justiça do Paraná.

A defesa do auditor ingressou com recurso especial no STJ sob a alegação de haver “diversas nulidades nas audiências de primeiro grau”.

A advogada Louise Mattar Assad sustenta que houve quebra de sigilo telefônico de Santos, que a defesa não teve acesso à totalidade das mídias e decisões que autorizaram a medida, e que parte do conteúdo das mídias não consta nos autos do processo.

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Louise defende também que houve inversão do rito e cerceamento de defesa durante a audiência de instrução.

Relator do caso no STJ, o ministro Paciornik rebatou os argumentos no seu voto. Ele afirmou que a cópia da decisão que acatou a interceptação telefônica no âmbito da Operação Publicado foi anexada aos autos, assim como as mídias com os áudios interceptados que motivaram a nova escuta na Operação Mercúrio.

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O ministro registrou ainda que o conteúdo das mídias sempre esteve disponível, antes mesmo da defesa prévia. E considerou três pontos fundamentais para a condenação: a culpabilidade, já que o recorrente atuava na condição de auditor fiscal da Receita Estadual do Paraná e praticou as condutas em concurso de agentes; as circunstâncias do crime, uma vez que, além de solicitar vantagem, recebeu verba pecuniária; e consequências, porque as condutas somam valor elevado.