O Ministério Público Federal (MPF) em Maringá apresentou no último dia 8 mais uma denúncia contra a quadrilha de contrabandistas desmontada pela Operação Hidra no início de maio, acusando mais 43 pessoas de cometer crimes de estelionato, corrupção ativa, formação de quadrilha, contrabando ou descaminho. O juiz Marcos César Romeira Moraes, da Vara Federal Criminal de Maringá, acatou a denúncia e, segundo a Justiça Federal (JF), o processo está tendo seu andamento normal.

A Operação Hidra foi realizada numa ação conjunta do MPF, da Polícia Federal (PF) e da Justiça Federal, com o objetivo de desmantelar uma quadrilha que seria responsável pela entrada – via terrestre – de metade de todo o contrabando e pirataria que circula pelo Brasil, atuando no Paraná, em Mato Grosso, no Mato Grosso do Sul e em São Paulo.

Até agora 87 pessoas foram denunciadas pelo MPF. De acordo com a Justiça, dos 44 acusados em maio, 23 cumprem prisão preventiva, sendo interrogados entre 21 e 28 de junho. A Justiça informou que agora mais de 100 testemunhas de defesa estão sendo intimadas a depor, em vários estados do País.

No início da Operação Hidra, foram expedidos quase 100 mandados de prisão temporária e de bloqueio de contas correntes, além de 422 pedidos de apreensão de veículos da Transbalan, sendo na maioria caminhões usados para o transporte de produtos contrabandeados. O grupo era especializado na compra, venda e transporte de mercadorias contrabandeadas de alta qualidade e bom valor de mercado, como equipamentos de informática e eletroeletrônicos, cigarros, materiais e equipamentos médicos e odontológicos, agrotóxicos, medicamentos, compostos farmacêuticos, pneus, entre outros.

Foram também apreendidos pela PF de Maringá, em maio, cerca de duas toneladas de mercadorias e documentos, para serem examinados. As mercadorias vieram do Mato Grosso do Sul, dos municípios de Campo Grande, Eldorado e Mundo Novo.

Entre os 23 que estão presos encontra-se José Doniseth Balan, detido no Mato Grosso do Sul quando a operação foi deflagrada. Ele é acusado de ser o mandante da quadrilha e dono da Transbalan, transportadora sediada em Maringá, que supostamente fazia a distribuição do contrabando.

Segundo o Ministério Público, as investigações começaram em agosto de 2003, após denúncia anônima enviada à Procuradoria da República de Foz do Iguaçu e repassada à unidade do MPF em Maringá. Durante quase um ano, informa o MPF, aconteceram investigações para levantar os números telefônicos dos principais articuladores da rede criminosa de contrabando.

A partir de agosto de 2004, as investigações se intensificaram, sendo necessária a estruturação de ?redes de inteligência? – em Maringá, Cuiabá, Campo Grande e São Paulo -, envolvendo ao todo 650 policiais federais destacados para trabalhar na operação batizada de Hidra, numa alusão ao monstro mitológico com diversas cabeças que representariam as ramificações do grupo. A operação contou com o apoio do Exército e da Aeronáutica, constituindo-se a maior do gênero já realizada no país.