Crime organizado

Julgamentos internos e punições: como facção comandava crimes de dentro de presídios no Paraná

Fotografia em plano médio de duas viaturas policiais estacionadas em uma rua residencial pavimentada, diante da fachada de uma residência. Em primeiro plano e à esquerda, destaca-se uma caminhonete da Polícia Militar do Paraná (3º BPM), com pintura caracterizada em branco e amarelo, ostentando o brasão oficial e a inscrição "POLÍCIA MILITAR" na lateral. À direita, posiciona-se uma viatura SUV preta da ROTAM, exibindo a identificação tática "ROTAM" no vidro traseiro e na carroceria, além da placa visível e numeração operacional. No plano intermediário, as viaturas ocupam a via em frente a uma casa térrea de alvenaria com telhado de telhas de barro e uma porta de correr de vidro. Ao fundo, sob uma luz natural difusa de dia nublado, o cenário urbano residencial compõe o ambiente da operação de segurança.
Familiares abasteciam quadrilhas com drogas ao visitá-los. Foto: PCPR.

Uma organização criminosa com atuação no Paraná á alvo de uma operação nesta quarta-feira (14). Conforme as investigações, o grupo comandava operações de dentro de presídios e mantinha uma rede de colaboradores nas ruas para distribuir drogas e movimentar o dinheiro obtido com as vendas.

As investigações apontam que o grupo também contava com uma estrutura interna de poder, com regras próprias, julgamentos e castigos físicos para integrantes considerados infratores.

A investigação começou em Clevelândia, no Sudoeste do Paraná, após crimes de tortura e cárcere privado contra pessoas acusadas pela facção de “traição”. O grupo também cobrava dívidas do tráfico por meio de ameaças e intimidação.

Ao rastrear a origem das ordens para esses crimes, os investigadores chegaram a celulares clandestinos apreendidos em uma penitenciária da região. A partir dos aparelhos, identificaram uma organização com atuação em dezenas de cidades do Paraná, de Santa Catarina e de São Paulo.

Castigos e tráfico de drogas

Segundo a Polícia Civil do Paraná (PCPR), as lideranças presas negociavam grandes quantidades de cocaína, crack e maconha para revenda em diferentes regiões, com preços tabelados.

Os integrantes transportavam as drogas entre municípios, armazenavam os entorpecentes em depósitos e controlavam pontos de venda à distância. Dentro dos presídios, a organização mantinha funções definidas para garantir o cumprimento das regras da facção.

Um setor fiscalizava a conduta dos integrantes, julgava presos considerados infratores e determinava punições físicas. Outros membros escondiam, recarregavam e faziam circular celulares e roteadores entre as celas, mantendo a comunicação com colaboradores do lado de fora.

Familiares cooperavam com o tráfico

De acordo com a investigação, familiares levavam drogas escondidas no corpo durante visitas aos presos. Os recursos obtidos com o tráfico eram movimentados por meio de transferências via PIX para contas abertas em nome de terceiros sem ligação direta com os detentos. Os depósitos eram fracionados e os saques, realizados rapidamente, para dificultar o rastreamento do dinheiro.

A polícia identificou ainda uma empresa de fachada usada para receber pagamentos referentes a cargas de drogas. As movimentações financeiras eram registradas em planilhas de controle, segundo a delegada Alini Simadon, da PCPR.

“Com os dados obtidos foi possível revelar uma organização criminosa estruturada e sem fronteiras, pois o comando partia de dentro do sistema prisional e as ordens chegavam às ruas de dezenas de cidades do Paraná, de Santa Catarina e de São Paulo.”

A operação desta quarta mobiliza mais de 500 policiais e prevê o cumprimento de 95 mandados de prisão e 120 de busca e apreensão. A Justiça também autorizou a quebra do sigilo bancário e o acesso aos dados dos aparelhos eletrônicos apreendidos. As diligências ocorrem em municípios do Paraná, além de Abelardo Luz, em Santa Catarina, e São Carlos e Cotia, em São Paulo.

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