O Paraná é o primeiro Estado a incluir as comunidades indígenas no programa Fome Zero do governo federal. Ontem, em Curitiba, 23 líderes participaram de um treinamento para cadastrar as 2.521 famílias que vivem no Estado, totalizando 10.043 índios. Segundo o assessor de assuntos indígenas do governo estadual, Eívio Batisteli, as aldeias estão entre os grupo mais pobres do País.

A experiência vai servir de exemplo para outros estados. Entre os índios, cada comunidade terá apenas um cartão e a verba será administrada por um comitê. A coordenadora de projetos especiais da Secretaria Estadual do Trabalho e Promoção Social, Sabrina Parrino, explica que dessa forma as aldeias vão ter mais força para negociar a compra de alimentos. Ela ainda não sabe quando o cadastramento ficará pronto e as famílias comecem a ser beneficiadas.

A comunidade de Rio das Cobras, na região de Nova Laranjeiras e Espigão Salto do Iguaçu, Sudoeste do Estado, por exemplo, reúne descendentes de Caingangues, guarani e xetá, que sobrevivem da agricultura, com pequena participação do artesanato, extração e coleta.

As safras, porém, são insuficientes para o sustento das 2.403 pessoas. O agente da pastoral da criança, Juvino Felipe, conta que a comunidade vive em condições precárias, a maioria das casas é feita de lona e à noite acendem uma fogueira para agüentar o frio. “Embora a gente saiba que isso faz mal”, explica. A alimentação também é extremamente pobre, inclui basicamente feijão e arroz. “Carne só quando a gente trabalha fora”, diz. Ele espera que com a verba do Fome Zero a situação melhore.

Se o número de famílias que vão ser cadastradas se igualar aos números que o governo possui, a comunidade deve receber R$ 24 mil.