Líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais SemTerra (MST) de todo Estado, que chegaram a Curitiba na última terça-feira, participaram ontem de manhã, na Universidade do Esporte, de uma audiência pública com o superintendente do Incra, Celso Lisboa de Lacerda. Ele recebeu das mãos de integrantes do movimento uma pauta de reivindicações contendo uma relação de nomes de áreas de acampamentos que precisam ser regularizadas e transformadas em assentamentos.

Segundo o integrante da direção estadual do MST, Célio Rodrigues, em todo Paraná, existem 27 áreas com acampamentos, com até 16 anos, 29 áreas recentes e nove áreas onde já houve despejos que devem ser regularizadas. Nesses locais, vivem 11 mil famílias, num total de cerca de 55 mil pessoas. “Entre as áreas antigas está a Fazenda Joaquim, no município de Teixeira Soares (próximo a Irati), que existe há 16 anos. Lá, uma parte é assentamento e outra acampamento. A região precisa urgentemente de atenção”, comenta Célio.

Outras reivindicações foram: fornecimento de cestas básicas através do programa Fome Zero; fornecimento de rolos de lona preta para recuperação dos barracos das famílias acampadas; regularização de lotes de viúvas vítimas da violência no campo; assistência técnica nos acampamentos; fornecimento de créditos para fomento, alimentação, habitação, custeio e investimento; e garantia de infra-estrutura básica, como estradas, poços artesianos, luz elétrica e barracões comunitários.

No final do dia de ontem, os líderes e seus familiares voltaram as suas cidades de origem. Hoje, em muitos acampamentos, deve haver homenagens aos dezenove trabalhadores rurais mortos no conflito de Eldorado dos Carajás (PA), em 17 de abril de 1996.

Incra

O superintendente do Incra, Celso Lisboa de Lacerda, deu poucas esperanças aos trabalhadores semterra. Ele disse que, do ponto de vista jurídico, nada pode ser feito para legalizar as áreas de acampamento relacionadas pelo MST. Apenas duas delas devem, em breve, ser transformadas em acampamentos: Porangaba 2, em Querência do Norte, no Noroeste do Estado, e Prosperina, em Ortigueira, no Norte. “O que posso fazer agora é tentar reorganizar o Incra. Quando assumi a superintendência, encontrei o órgão totalmente sucateado e desestruturado, com propostas de não realização da reforma agrária”, disse Lacerda.