Importação de uniformes para a polícia gera polêmica

A recente compra de uniformes novos para a Polícia Militar do Paraná (PM-PR), provenientes da China e de Taiwan, tem despertado críticas por parte dos policiais com relação à qualidade das roupas. Além disso, a opção do governo estadual pode acarretar o fechamento da fábrica de confecções da Associação da Vila Militar (AVM). Até esta semana, já foram 21 demissões. Os demais 104 trabalhadores da fábrica de confecções vão ganhar férias coletivas a partir do próximo dia 19. A fábrica foi pensada com o objetivo específico de produzir fardamento para os policiais. Sem novos pedidos de trabalho e sem produzir, a direção da AVM cogitou fechar a fábrica nesta semana.

Ao final de uma assembléia realizada para discutir a questão, na última quarta-feira, ficou decidido que, pela importância da fábrica, ela será mantida. Pelo menos por enquanto. “A AVM está a duras penas tentando manter seu quadro de funcionários, mas existe a consciência e a responsabilidade legal da presidência da AVM em função do prejuízo que manter a fábrica está causando ao quadro associado”, declarou o capitão René Ferreira Muchelim, da Comunicação Social da AVM.

A AVM vai tentar superar as dificuldades partindo para a iniciativa privada, segundo informações de Muchelim. “À medida que os fatos forem evoluindo, as demissões podem parar ou acelerar, mas o coronel Oscar Paluch (presidente da AVM) deve aguardar 2009 para tomada de novas decisões”, disse.

De um lado, a AVM tem a preocupação em não deixar mais pessoas desempregadas e, de outro, a responsabilidade em não lesar o quadro associado com as despesas da fábrica. “Temos esperanças de que a produção retorne, mas isso depende do Conselho Econômico da PM e do coronel Anselmo José de Oliveira (comandante-geral da PM-PR)”, informou Muchelim.

De acordo com o capitão, a receita arrecadada com a produção é voltada a atender às necessidades dos policiais militares, geralmente atividades voltadas ao lazer, pensadas para combater o alto estresse causado pela rotina da profissão.

A PM foi questionada pela reportagem sobre a compra, o valor gasto e a qualidade dos uniformes recém-adquiridos, mas a corporação informou que deve se pronunciar sobre o assunto apenas nos próximos dias.

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