Átila Alberti / O Estado do Paraná
Incêndio em 1997 no Largo da Ordem.

Os proprietários e responsáveis por imóveis antigos precisam tomar alguns cuidados para evitar riscos de incêndios. A falta de manutenção da fiação elétrica e dos pára-raios, aliada à má conservação dos equipamentos de prevenção, podem gerar tragédias nesses locais, segundo o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, seção Paraná. As áreas de Curitiba com maior risco são o centro histórico (Largo da Ordem) e a Rua XV de Novembro.

O engenheiro civil Luís César Moro, gerente da regional do conselho, explica que a parte de prevenção contra incêndios, que inclui extintores, tubulações e mangueiras, deve passar por vistorias do Corpo de Bombeiros anualmente. Já para o sistema elétrico não existe uma norma, mas o Crea orienta para que a cada cinco anos seja verificada a sua condição. Outro ponto a ser observado pelo proprietário ou síndico é o pára-raios. “As pessoas presumem que uma vez instalado, não precisa de manutenção. Mas uma descarga atmosférica pode causar um incêndio. O equipamento deve ser vistoriado uma vez por ano”, conta Moro.

O chefe do setor de Relações Públicas do Corpo de Bombeiros, tenente Pinheiro, conta que a falta de manutenção é o vilão em qualquer incêndio, mas a situação se agrava nas edificações antigas. “A manutenção deveria ser feita em tempo menor nesses prédios, mas ocorre o contrário. As pessoas não fazem ou realizam em um tempo mais elástico”, afirma.

Ele acredita que não são apenas as partes elétrica e de pára-raios que causam os incêndios em imóveis antigos. “Essas são as causas principais, mas tudo depende da ocupação do imóvel, se trabalha com gás ou com equipamentos específicos que podem gerar superaquecimento”, explica Pinheiro.

Para ele, o fator humano, que engloba o desconhecimento, negligência e atitudes ingênuas – pessoa que fuma e depois joga a ponta do cigarro em qualquer lugar, por exemplo -, podem contribuir para os riscos de incêndio. “Outra situação é aquela onde o prédio está abandonado. Alguns sem teto vão morar lá e acendem velas ou fazem uma fogueira sobre o assoalho para se esquentarem”, comenta.

O engenheiro lembra que, se um imóvel for consumido pelo fogo, o síndico ou empresa responsável pelo condomínio podem ser processadas judicialmente, de acordo com o novo Código Civil. “As pessoas também não levam isso em conta”, avalia.

Irregularidades

Ele aponta diversas irregularidades nos prédios antigos quanto à prevenção de incêndios. Os posicionamentos de hidrantes, a não existência da escada enclausurada (com portas anti-fogo e fumaça) e o tipo de degraus podem dificultar a ação dos bombeiros ou a fuga das pessoas que se encontram no imóvel. “Nós recomendamos que os responsáveis consultem um engenheiro para verificar se é possível adequar os prédios. Sabemos que em muitos deles é praticamente impossível fazer as mudanças conforme as normas atuais. Mas se colocar, por exemplo, uma porta corta-fogo, que agüenta até quatro horas, já aumenta a segurança”, conclui Pinheiro.

Procedimentos de emergência

A pessoa que estiver em um incêndio deve verificar se há outras na parte atingida e fechar todas as portas, inclusive as da parte interna da casa ou escritório. “Isso diminui a velocidade de propagação do fogo”, comenta o engenheiro. Depois, deve se dirigir às escadas sem correr e andar pela parte direita dos degraus para liberar o restante para a passagem dos bombeiros e equipes de ajuda. “A pessoa precisa andar sem parar até chegar em um lugar seguro. Se não prestarem atenção nisso, por mais que os bombeiros estejam com o efetivo completo, pode-se perder vidas”, esclarece.