Nada mais justo do que um dia para homenagear os idosos do Brasil. Nas últimas décadas, o número de pessoas com 60 anos ou mais vem aumentando gradativamente. Hoje, a população idosa já soma cerca de 16 milhões de pessoas, cerca de 9% da população geral. O País já tem 20 idosos para cada 100 crianças. Em 1991, esse número era de apenas 13,9 idosos. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), esse indicador reflete também uma queda da fecundidade, cuja taxa é de cerca de 2,2 filhos por mulher, com aumento da expectativa de vida do brasileiro. Pelas projeções, em dez anos o número de idosos deve triplicar. Atualmente, o Brasil é o 13.º país em população idosa e as projeções para 2025 é a de que seja o 6.º.
Para a presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia – Seção Paraná, Ivete Berkenbrock, o crescimento da população idosa gera duas questões cruciais. ?É uma vitória, uma conquista, mas por outro lado traz um imenso desafio para a sociedade, governos e para as políticas públicas de saúde e assistência e para o sistema previdenciário?, diz. Por isso, mais do que nunca, é necessário agilizar a discussão sobre o tema, para que o País esteja preparado para atender a demanda de pessoas que já ultrapassaram a barreira dos 60 anos.
O aumento da expectativa de vida está ligado a vários fatores, como por exemplo o controle das doenças infecto-parasitárias, ditas transmissíveis, que em 1930 somavam 50% dos óbitos e hoje representam 6% nas estatísticas de mortalidade. ?A modernidade também gerou avanços, como o desenvolvimento da tecnologia científica que proporciona diagnósticos mais precisos, o desenvolvimento de medicamentos mais potentes no controle das doenças e na sua cura?, explica. O início do direcionamento das políticas públicas também é um fator que colabora para a longevidade. ?As políticas públicas de promoção da saúde e prevenção de doenças são decisivas para melhor qualidade de vida?, completa Ivete.
Isto porque as doenças transmissíveis foram substituídas pelas ditas não contagiosas, como doenças cardiovasculares, neurológicas e por acidentes. Nos dois primeiros casos, as informações sobre cuidados em especial com a alimentação são fundamentais para que a longevidade seja garantida. ?Não existe mágica para alcançar a longevidade, mas uma série de cuidados e bons hábitos ao longo da vida são necessários.?
Pensar na saúde física é importante, mas também é fundamental dar uma atenção especial à saúde mental. ?Atividade física e mental são duas recomendações simples, mas com alto impacto positivo na determinação de maior longevidade, mais prazer, mais alegria?, conclui Ivete.
Na melhor idade e sem perder o fôlego
| Foto: Evandro Monteiro/O Estado |
| Araci arranja companheiro para dançar em todos os bailes. |
Para muitos que já passaram dos 60 anos, o trocadilho terceira idade com melhor idade tem tudo a ver. Em vez de se lamentarem pela idade avançada, eles aproveitam o tempo livre, proporcionado pela aposentadoria, para curtir a vida. E para muitos deles, isso significa cair na dança.
Um passeio pelo baile da terceira idade, promovido todas as quartas-feiras na Sociedade Bacacheri, dá uma noção exata do fôlego dessa turma. São horas a fio no salão, rodopiando ao som de ritmos como o vanerão e o gauchesco. E não importa se a proporção entre homens e mulheres seja desigual – 80% dos freqüentadores são do sexo feminino. O que vale é cair na dança. ?As mulheres vivem mais e também são mais animadas?, diz Mariane Vieira, do Instituto Melhor Idade, que participa da organização do baile. Para ela, trabalhar em prol dos que já estão na terceira idade é uma lição de vida. ?Tem muita gente jovem que não tem a alegria de viver deles.?
Araci Maciosek, 78 anos, é um exemplo. Arrumadíssima, com direito a salto alto prateado, ela não só se joga na pista de dança como há alguns anos, como também participa da organização dos eventos. ?É uma satisfação. Ocupar a cabeça é a melhor coisa que se tem a fazer para não entrar em depressão?, diz animada.
Alfredo Camargo, de 60 anos, que o diga. Como um autêntico pé-de-valsa, que começou a dançar ao 10 anos, ele se divide entre as amigas. ?A dança é tudo na minha vida. Uma grande paixão que recomendo a todos?, diz o dançarino.
E se a turma dos solteiros e viúvos é grande, o baile também pode ser o local para casais prolongarem os momentos romântico. Argemiro e Dulce Neckel, que já passaram dos 60, aproveitaram uma viagem a Curitiba para passar bons momentos na pista de dança. ?Somos de Dois Vizinhos e viemos a Curitiba para tratar da saúde. E nada melhor do que aproveitar o tempo para dançar?, diz Argemiro.