Depois de quase três meses sem previsão para a retomada da licitação da recuperação e revitalização da orla de Guaratuba, no Litoral do Paraná, o Instituto Água e Terra (IAT) informou que pretende republicar o edital ainda neste mês de julho. O processo está suspenso desde 23 de abril para a realização de adequações no projeto.

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Em nota enviada à Tribuna do Paraná, o IAT informou que “está atualmente fazendo adequações técnicas e administrativas no processo para viabilizar a republicação do edital, mas a expectativa é de que essa republicação aconteça ainda neste mês”.

O projeto prevê intervenções em 4,7 quilômetros da orla, abrangendo a Praia Central, a Praia de Caieiras e a Prainha. Além da ampliação da faixa de areia em até 100 metros, estão previstas obras de macrodrenagem e microdrenagem, novos calçadões, ciclovias, paisagismo e acessibilidade. Também estão incluídas novas estruturas de engenharia, como espigões, guias-correntes e headlands, para reduzir os efeitos da erosão costeira.

O prazo estimado para a execução da obra é de 24 meses após a emissão da ordem de serviço.

Projeto de Guaratuba segue o modelo adotado em Matinhos

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A recuperação da orla de Guaratuba integra um conjunto de obras de requalificação costeira desenvolvido pelo Governo do Paraná. O primeiro grande projeto foi executado em Matinhos, onde as obras começaram em 2022. A etapa de engorda artificial da praia foi concluída ainda naquele ano, enquanto os serviços de urbanização, drenagem, calçadões, ciclovias e paisagismo foram entregues ao longo de 2024.

O trabalho executado em Matinhos passou a servir de referência para os projetos previstos em outras cidades do litoral paranaense. Contudo, especialistas alertam que cada praia possui características próprias e que soluções semelhantes precisam ser adaptadas à realidade de cada trecho da costa.

Cada praia responde de forma diferente

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Para o professor titular do Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Marcelo Lamour, a revisão do edital é comum em razão da complexidade do projeto. Segundo ele, as obras de engorda das praias dependem de estudos detalhados sobre ondas, marés, correntes, transporte de sedimentos e dinâmica costeira, para que as soluções de engenharia sejam compatíveis com o comportamento do local.

“O adiamento, do ponto de vista da engenharia, pode até ser benéfico. O inverno é o período mais desfavorável para executar esse tipo de obra, devido à maior agitação do mar, às ressacas e aos ventos mais intensos. Trabalhar nessas condições aumenta a dificuldade da operação”, explica. Por outro lado, ele observa que esse também é o período em que a erosão costeira costuma ser mais intensa, o que reforça a importância de um planejamento adequado.

Segundo Lamour, uma das principais lições deixadas pela revitalização da orla de Matinhos é que não existe uma solução única para todas as praias. Apesar da proximidade entre Matinhos e Guaratuba, as duas áreas apresentam comportamentos distintos, influenciados pelas ondas, pelas correntes, pelas marés e pela foz da Baía de Guaratuba.

O pesquisador reforça que a alimentação artificial não representa uma solução definitiva. “Toda obra desse tipo necessita de manutenção. Algumas duram cinco anos; outras, vinte, mas todas precisam ser monitoradas.” Como exemplo, ele cita que, após a conclusão da engorda em Matinhos, o Governo do Paraná precisou realizar uma nova intervenção em razão da perda de parte do volume de areia depositado na praia.

Lamour destaca que a UFPR acompanhou a recuperação da orla de Matinhos e as diversas intervenções costeiras realizadas no litoral paranaense ao longo das últimas décadas, acumulando uma base de conhecimento sobre a dinâmica da costa. Segundo ele, esse histórico pode contribuir para o planejamento e a execução da obra em Guaratuba.

Comércio vê obra como divisor de águas para Guaratuba

Procurada pela Tribuna do Paraná, a Associação Comercial e Empresarial de Guaratuba (ACIG) afirmou que acompanha “com atenção e senso de urgência” o andamento do projeto de engorda e revitalização da orla.

Apesar de reconhecer que o projeto ajudará a alavancar o turismo local, a ACIG demonstra preocupação com o prazo de início das obras. O que a associação teme é que intervenções pesadas, que incluem pontos de interdição na praia, aconteçam durante o verão de 2027, período de maior movimento para a região. Leia a nota na íntegra:

A Associação Comercial e Empresarial de Guaratuba (ACIG) acompanha com atenção e senso de urgência o desdobramento do projeto de engorda e revitalização da orla, que compreende 4,7 quilômetros entre a Praia Central, a de Caieiras e a Prainha.

Diante da recente suspensão da licitação pelo Instituto Água e Terra (IAT) para a correção de pontos técnicos do edital, como o detalhamento das jazidas de areia e a inclusão de novas estruturas de proteção costeira, a associação manifesta sua posição:

Expectativa e Impacto: O comércio local vê a obra como um divisor de águas econômico. O projeto vai muito além da ampliação da faixa de areia em até 100 metros; ele traz drenagem contra alagamentos, novos calçadões, ciclovias e paisagismo. É a infraestrutura necessária para modernizar o turismo, atrair investimentos privados e combater a sazonalidade que afeta as empresas fora da temporada.

Preocupação com o Cronograma: Embora a ACIG reconheça que os ajustes do IAT são fundamentais para garantir a durabilidade e a segurança jurídica da obra, o setor produtivo manifesta preocupação com o prazo de execução de 24 meses. A falta de uma nova data para o edital gera incerteza para o comércio e para a hotelaria, que dependem de previsibilidade para planejar investimentos, estoques e contratações.

Risco para as Próximas Temporadas: O maior receio do setor é que o atraso no início das obras empurre as intervenções pesadas (uso de maquinário e interdições na praia) para o período de pico do veraneio de 2027, o que traria prejuízos severos ao faturamento local.

A ACIG reforça a necessidade de que o novo edital seja lançado com a máxima agilidade possível, garantindo que o desenvolvimento de Guaratuba não seja penalizado por novos adiamentos”.

Prefeitura aguarda retomada

Em nota, a Prefeitura de Guaratuba informou que aguarda a republicação do edital para a engorda e revitalização da Praia Central. Segundo a administração municipal, a intervenção deverá ampliar a capacidade de receber visitantes ao longo do ano, incentivar novos investimentos e movimentar o comércio, a hotelaria, a gastronomia e o setor de serviços.

A administração acrescenta que a obra também deve favorecer a geração de empregos, a valorização da orla e a qualificação dos espaços públicos, tornando a cidade ainda mais preparada para receber moradores e turistas.