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A Sanepar nega que o lodo
esteja sendo jogado no rio.

O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) vai averiguar hoje a denúncia de que o lodo tóxico resultante do processo de tratamento de água na Estação de Tratamento de Água Iraí, em Pinhais, esteja sendo depositado em terrenos próximos a residências e até no Rio Iraí. A denúncia foi feita pela Associação Paranaense de Preservação Ambiental dos Mananciais do Rio Iguaçu e Serra do Mar (APPAM).

De acordo com Jorge Roberto Carvalho Grando, tesoureiro da APPAM, o lodo contaminado estaria sendo jogado diretamente no Rio Iraí, em Piraquara. ?Eles estão matando o Rio Iraí, que é o principal formador do Rio Iguaçu. Isso não pode continuar assim?, afirma.

A APPAM move também, contra a Sanepar, Suderhsa e o IAP, uma ação civil pública datada de 2002, em função da criação de um canal extravasor, que mudou o curso do Rio Iraí. ?A desculpa que eles deram na época foi de que a obra iria evitar enchentes. Hoje vemos que a verdade é que eles queriam usar essa parte do rio como depósito desse lodo contaminado?, acusa Grando.

Em frente à estação da Sanepar, o lodo – que tem grande quantidade de alumínio – foi depositado num terreno baldio, ao lado de uma borracharia. De acordo com Rasca Rodrigues, presidente do IAP, a Ambienses – empresa contratada pela Sanepar para dar fim ao lodo – tem autorização para utilizar o resíduo num estudo piloto que prevê a utilização do lodo e de restos da construção civil para recuperar terrenos danificados onde existiam cavas. ?Vamos verificar hoje o local. Se alguma coisa estiver sendo feita fora desse processo autorizado pelo IAP, a empresa pode até ter sua autorização de trabalho suspensa?, disse Rodrigues.

O gerente geral da Região Metropolitana de Curitiba da Sanepar, Antônio Carlos Gerardi, nega que o lodo esteja sendo jogado no Rio Iraí. ?O que acaba indo para o rio é a água que resulta do processo de tratamento. O lodo propriamente dito é retirado pela Ambienses e levado para um local adequado?, explicou. Como foi verificado que a Ambienses depositou lodo em terrenos baldios e também não estaria alternando as camadas de lodo e resíduo de construção civil para preencher as cavas, a Sanepar já notificou a Ambienses e a empresa não pode mais retirar o lodo da estação até se adequar ao processo.

Arion Zandona Filho, doutor em processos biotecnológicos e consultor da Ambienses, disse que as denúncias são infundadas. ?O que estamos fazendo é um estudo para recuperação de áreas degradadas, utilizando o lodo residual da Sanepar e restos de construção civil. Esse material está sendo levado para os locais aprovados pelo IAP?, disse.

O coordenador do Centro de Apoio Operacional das promotorias de Proteção ao Meio Ambiente, o procurador Saint Claire Honorato Santos, disse que a promotoria ainda não recebeu nenhuma denúncia formal sobre a destinação do lodo. ?Assim que recebermos esta denúncia, faremos análises da água do rio e dos resíduos, para saber se a destinação que vem sendo feita está obedecendo às determinações dos órgãos ambientais?, disse.