O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) está estudando uma maneira legal para aplicação de multas diárias contra a empresa Adubos Trevo (atualmente Trevisa Investimentos S.A), ex-proprietária da mineradora Plumbum, que deixou um passivo ambiental em Adrianópolis de cerca de 300 mil toneladas de resíduo de chumbo a céu aberto

No final de 2002, a Adubos Trevo apresentou projeto para construção de um aterro industrial próximo ao local onde o resíduo está depositado. O IAP considerou a proposta como a mais viável e solicitou, na época, a apresentação de um detalhamento até o dia 30 de janeiro. Entre os pontos para a definição do projeto faltavam informações sobre a questão da impermeabilidade dos rejeitos, monitoramento e remanejamento dos locais tidos como áreas de preservação e ainda a necessidade da construção ser realizada entre os meses de seca (março a agosto), em virtude da proximidade com o rio Ribeira do Iguape, a fim de impedir o escoamento do material para o rio. A empresa não cumpriu o prazo e até hoje não apresentou uma conclusão; por isso, deverá ser notificada. “Esta situação é intolerável, ainda nesta semana vamos fazer uma reunião com a empresa para definir a solução do problema”, diz o presidente do IAP, Rasca Rodruigues.

Resíduos

A empresa mineradora Plumbum manteve atividades de mineração e beneficiamento de minério de chumbo até o início da década de 90. Os resíduos gerados pelo processo ficaram depositados a céu aberto. Esse material poderia ser utilizado na indústria cerâmica ou de fabricação de cimento, mas devido aos custos e dificuldades de transporte, considerou-se inviável a solução.

O chumbo é um minério que pode contaminar o solo e a água, passando das plantas para os animais. Em março de 2001, a Unicamp (SP) divulgou uma pesquisa, realizada com crianças de 7 a 14 anos, em Adrianópolis, que comprovou a contaminação por chumbo no município em índices considerados elevados.

O IAP aplicou três multas à Plumbum, num total de R$ 204 mil, e também aos proprietários que compraram as instalações, após o fechamento da empresa: Henrique José Zaffari (três multas que totalizam R$ 22 mil) e José Carlos Leprevost (multa de R$ 10 mil). O prazo para pagamento venceu no dia 3 do mês passado. Com isso, as multas passam para a dívida ativa e execução fiscal. Além disso, a Plumbum também está respondendo ação judicial por crime ambiental.

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