A tradição de 54 anos de missa pela paz no dia 1.º de maio celebrada no alto do Morro do Anhangava, em Quatro Barras, foi quebrada ontem. Esta que deveria ter sido a 55.ª missa foi suspensa por determinação da Arquidiocese de Curitiba. O padre Getúlio Pereira da Silva, da Paróquia de São Sebastião, nem chegou a subir os 1.400 metros do morro. Leu para os fiéis o comunicado que recebeu, assinado por dom Moacyr José Vitti e sugeriu, conforme orientações do arcebispo, que a missa fosse rezada no pé do morro. Os fiéis e aventureiros que foram até o local não aceitaram a proposta e resolveram subir o Anhangava mesmo sem o padre. Para não deixar a data passar em branco, foi rezado o terço no topo do morro.

Desde a semana passada, a realização da missa estava envolvida em polêmicas. O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) proibiu a realização da missa, alegando que a grande quantidade de pessoas subindo o morro num mesmo dia traria prejuízos ambientais. A Paróquia de Quatro Barras não aceitou a determinação e promoveu abaixo-assinado entre a comunidade. O documento, com mais de sete mil assinaturas, foi encaminhado para a Câmara Municipal que transformou o requisito da população em lei de iniciativa popular, tombando o morro como patrimônio histórico, cultural e religioso de Quatro Barras. Até sábado, a missa estava programada para acontecer no alto do morro, mesmo com a proibição do IAP.

No entanto, ninguém esperava a manifestação de última hora da Arquidiocese de Curitiba. Uma carta enviada pelo IAP a dom Moacyr convenceu o arcebispo que a missa no alto do morro prejudicaria o meio ambiente. No comunicado que enviou à Paróquia de Quatro Barras, o arcebispo desaconselhava o padre a rezar a missa no alto do morro, deixando a população livre para subir ou não o Anhangava, livrando-se, desta forma, da responsabilidade por possíveis danos causados.

Tradição

Mas nem o cancelamento da missa impediu que o casal de aposentados Dorotéia e Júlio Maciocha subisse o morro para rezar pela paz mundial. Ela com 68 anos e ele com 74, enfrentaram a subida de cerca de duas horas, como fazem há cinco anos. ?Quando deixamos de vir, parece que falta alguma coisa?, afirmou Dorotéia.

De acordo com o padre Getúlio, a tradição começou em 1950, com um grupo de moradores da Borda do Campo que resolvei rezar o terço pela paz, em cima do morro. É que, para os católicos, o mês de maio é dedicado à Nossa Senhora, considerada pela igreja a Rainha da Paz. ?Ela é a Rainha da Paz porque trouxe para o mundo o Príncipe da Paz?, explicou o padre.

Festa gigante na Boca

A Coordenação Federativa de Trabalhadores, que representa cerca de 700 sindicatos no Paraná, com 5 milhões de filiados, promoveu ontem, manifestações comemorativas do Dia do Trabalho, na Boca Maldita. A organização contabilizava a participação de quase 30 mil trabalhadores na megaconfraternização. Os trabalhadores concorreram a inúmeros prêmios com cupons retirados durante a semana em seus sindicatos. Além dos sorteios e da parte cultural, com a apresentação de bandas, discutiram com os líderes dos sindicatos a proposta do governo de reforma sindical.

Segundo o vice-presidente nacional da Central Geral dos Trabalhadores (CGT), e um dos diretores da CFT, Gladir Antônio Bastos, ?o Dia do Trabalho deve ser também de reflexão sobre as diferentes situações em que vivem os trabalhadores brasileiros de hoje?.