Com a demanda por atendimento de moradores e turistas, especialmente durante a temporada de verão, Guaratuba aguarda o início das obras de um novo hospital municipal, previsto para ampliar a oferta de serviços de saúde na cidade. O projeto, orçado em R$ 47,4 milhões, prevê 93 leitos, incluindo dez de UTI adulta, três salas cirúrgicas e capacidade para realizar 180 cirurgias por mês.
O convênio com o Governo do Paraná foi assinado no início do mês de outubro (2), mas a construção ainda depende da elaboração do edital de licitação pela prefeitura.
A ampliação ocorre em uma região que recebe um fluxo maior de pessoas durante a temporada de verão. Além dos moradores, Guaratuba atende turistas e visitantes que passam períodos na cidade. Atualmente, a demanda sazonal – que tende a aumentar após a inauguração da Ponte de Guaratuba – exige reforço na rede de saúde, inclusive com a instalação de uma tenda para ampliar a capacidade de atendimento durante os meses de maior movimento.
A técnica de enfermagem Andrea Ramos relata que teve boas experiências no pronto-socorro municipal e destaca o reforço da estrutura durante a temporada. “Minha mãe está internada aqui, nesse momento, e sempre foi muito bem atendida. O atendimento aqui é individualizado, você se sente bem. No verão, a demanda aumenta bastante e eles colocam uma tenda para ampliar o atendimento. Chega a dobrar”, relata.
Porém, Andrea também aponta dificuldades para conseguir atendimento especializado e a demora nos encaminhamentos pela Central de Leitos. “O problema que vejo é quando precisamos de um especialista. Aí temos dificuldade por causa da demora no encaminhamento pela Central de Leitos. Às vezes, precisamos buscar atendimento em outra cidade.”
O acesso a consultas, exames especializados e a internações hospitalares depende de fluxos de regulação específicos no Paraná. No caso relatado por Andrea, a demora nos encaminhamentos evidencia um dos desafios enfrentados por pacientes que precisam de atendimento especializado, mesmo quando a experiência no pronto-socorro municipal é positiva.
Os moradores Oswaldo e Vera Toledo também avaliam positivamente o atendimento recebido no pronto-socorro municipal, mas defendem o reforço da assistência de urgência enquanto a nova unidade não entra em funcionamento. “Quando foi necessário, sempre fomos bem atendidos no Pronto-Socorro de Guaratuba. Acreditamos que, antes de o hospital ficar pronto, seria muito bom contar com uma UTI móvel”, afirmaram.
A sugestão dos moradores expressa uma preocupação com a assistência durante o período de espera pela nova estrutura. A implantação de uma UTI móvel, porém, não foi anunciada como parte do projeto do hospital.
Estrutura prevista
O projeto prevê investimento de R$ 47,4 milhões, sendo R$ 46,51 milhões do Governo do Paraná, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), e R$ 949,2 mil de contrapartida municipal. O novo bloco hospitalar terá aproximadamente 6,3 mil metros quadrados e será construído na área do atual Pronto Atendimento Municipal (PAM), no bairro Cohapar. O projeto também prevê a reforma de 200 metros quadrados da estrutura existente.
De acordo com as informações divulgadas pelo governo do Estado e pela prefeitura de Guaratuba, o hospital contará com 93 leitos, incluindo dez de UTI adulta, além de três salas cirúrgicas. A estrutura também terá equipamentos de diagnóstico por imagem, como tomógrafo e aparelho de raio-X.
A projeção oficial é de capacidade para 300 internações, 5 mil consultas ambulatoriais, 2 mil exames e 180 procedimentos cirúrgicos por mês. O projeto inclui ainda a reforma de aproximadamente 200 metros quadrados do atual PAM e a integração com a maternidade e áreas de apoio existentes.
A unidade também deverá participar do programa Opera Paraná, voltado à realização de cirurgias eletivas.
Regionalização da saúde
O secretário estadual da Saúde, César Neves, relacionou a construção do hospital à descentralização da assistência no Litoral. Segundo ele, durante anos os sete municípios da região tiveram o Hospital Regional do Litoral como referência hospitalar regional.
“Durante anos ficamos os sete municípios litorâneos com somente o Hospital Regional do Litoral”, afirmou Neves, ao defender a ampliação da estrutura hospitalar fora do principal centro regional.
A construção do hospital de Guaratuba integra a estratégia estadual de regionalização da saúde, que também contempla a unidade em construção em Matinhos. A proposta é ampliar a oferta de atendimento hospitalar no Litoral, em uma região que recebe tanto a população residente quanto visitantes durante a temporada.
Edital é etapa que falta para início da obra
O prazo de 24 meses para a conclusão do hospital começará a contar a partir do início das obras, segundo a Secretaria de Estado da Saúde. Antes disso, a prefeitura precisa elaborar e publicar o edital de licitação para contratar a empresa responsável pela construção.
Até que essa etapa seja concluída, não há uma data definida para o início dos trabalhos. A obra é aguardada em um município que precisa atender tanto os moradores quanto o aumento da demanda durante a temporada de verão.
