A perspectiva de uma paralisação dos funcionários dos hospitais e clínicas particulares da Grande Curitiba e parte do interior do Estado é grande. As negociações entre o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Curitiba e Região Metropolitana e o Sindicato dos Estabelecimentos de Saúde do Estado do Paraná (Sindipar) continuam, todavia, já é público que os hospitais não têm recursos para garantir o aumento de 26% pedido pelos funcionários.

O presidente do Sindipar e da Federação dos Hospitais do Paraná (Fehospar), José Francisco Schiavon, confirmou a situação crítica financeira de hospitais, laboratórios e clínicas de saúde. Ele destacou que as operadoras de planos de saúde e o Sistema Único de Saúde (SUS) estão pagando valores muito inferiores do que deveriam ser pagos pelos procedimentos feitos pelos hospitais. Conforme Schiavon, as operadoras estão com as tabelas de preços congeladas a mais de seis anos. Já o SUS reajustou alguns procedimentos, mas outros não têm o valor alterado a mais de oito anos e meio. “Mesmo com as tabelas congeladas, os funcionários vêm recebendo aumentos nesses últimos sete anos. Ano passado a inflação foi de 9,6%, não pudemos dar todo este percentual, mas nossos funcionários foram aumentados em 7%”, contou Schiavon, destacando que maior preocupação é com os pacientes, caso uma greve realmente venha a acontecer. “Os hospitais estão cheios de dívidas. O que está em melhores condições deve três vezes seu faturamento anual”, destacou.

Para Schiavon, mesmo mantendo as negociações, a expectativa é muito ruim. “Espero que as operadoras tenham bom senso ou que a Agência Nacional de Saúde interfira para que as tabelas sejam corrigidas”, disse, lembrando que uma diária num hospital vale R$ 30,00 há seis anos. “O valor justo hoje é de R$ 85,00 a R$ 100,00. Os insumos gastos pelos hospitais subiram 160% nesse período”, reclamou Schiavon.