Em audiência pública realizada na sexta-feira (5) na Câmara Municipal de Curitiba, representantes de hospitais da cidade reclamaram da falta de repasses das verbas do Sistema Único de Saúde (SUS). A audiência foi convocada pela vereadora Noemia Rocha (PMDB). Segundo ela, o objetivo é ampliar o diálogo dos hospitais com a secretarias municipais que administram os recursos do Ministério da Saúde.

José Álvaro da Silva Carneiro, diretor corporativo do Hospital Pequeno Príncipe (HPP), afirmou que durante anos os repasses de valores relativos ao SUS por parte da prefeitura foram realizados de forma regular e transparente mas que a partir de 2013 eles se tornaram irregulares e, os valores, aleatórios. “As entidades não têm tradição de brigar, mas a falta destes repasses gera desgaste entre a população e os hospitais”, disse ele.
Para Carneiro, há aspectos essenciais que devem ser levados em consideração: atraso, reajuste dos valores, política de investimentos e regulação do sistema de saúde. “Sem interesse e participação do poder público, melhor seria que nem houvesse o debate”, afirmou o diretor do Pequeno Príncipe.

Álvaro Quintas, diretor-geral de saúde da Santa Casa de Curitiba, disse que a inflação na área de saúde é maior do que a inflação normal, o que tornaria a recomposição dos valores “impraticável”. “Isso restringe e mesmo impossibilita qualquer investimento em melhorias das instalações, dos equipamentos e outros gastos”, afirmou.
Também participaram da audiência representantes do Hospital Erasto Gaertner e do Hospital Evangélico.

Má gestão

“Em 2012, o montante total contratualizado passou de R$ 325 milhões. Em 2013, foi de R$ 347 milhões e, em 2014, até o mês de outubro, chegou a R$ 329 milhões repassados, mostrando uma tendência a superar o ano passado”, afirmou César Titton, diretor de Redes de Atenção à Saúde, representando o secretário municipal de Saúde, Adriano Massuda. “Em alguns dos casos que hoje estamos discutindo, houve má gestão”, afirmou.