Viajar pelo próprio país e pelo exterior sem gastar valores absurdos com hospedagem não é uma irrealidade. Em todo mundo, inclusive no Brasil, é grande o número de pessoas que trocam as estadias em hotéis e pousadas tradicionais pelos hostels (antigos albergues da juventude), considerados bem mais baratos e acessíveis.

O primeiro hostel surgiu em 1909, em Atenas, na Grécia, quando um professor alemão, chamado Richard Schirrmann, começou a organizar grupos com seus alunos para realizar viagens de estudos. Em 1932 foi criada a Federação Internacional da Juventude (Hostelling International), mas foi apenas na década de sessenta – com os movimentos hippie e estudantis – que os hostels chegaram ao Brasil.

Atualmente, existem cerca de 4 mil hostels no mundo, sendo 84 no Brasil e cinco no Paraná. Em Curitiba, foi inaugurado, há cinco meses, na sede do antigo hotel Roma (Rua Barão do Rio Branco, 805), o hostel Roma, com capacidade para 110 pessoas. Até o fim do mês, deve ser inaugurado, no bairro Campo Comprido, o Curitiba Eco Hostel, segundo da rede na capital paranaense. “Mensalmente, pelo Roma, passam cerca de seiscentas pessoas, dependendo da época do ano. Porém, com o Curitiba Eco Hostel, que terá setenta leitos, a capacidade da cidade em abrigar novos hostellers (pessoas que se hospedam em hostels) será ainda maior”, comenta a diretora da Associação dos Albergues do Paraná, Karla Lemos. “O local, por ser um pouco mais afastado do centro, irá contar com piscina, quadra de esportes, barzinho e restaurante.”

Vantagens

No exterior, a diária nos hostels custa entre US$ 10 e US$ 30. No Brasil, varia de R$ 10 a R$ 30 e, em Curitiba, é de R$ 18. “Com o dinheiro que a pessoa economiza em hospedagem, ela pode desfrutar melhor dos atrativos turísticos dos locais que visita”, diz Karla. “Como as pessoas que ficam em hostels geralmente não contratam agências de viagens, os estabelecimentos também oferecem serviços de informações turísticas.”

Segundo Karla, os hostels também possibilitam o intercâmbio cultural entre pessoas de diferentes nacionalidades. Na maioria dos estabelecimentos, os quartos são coletivos, abrigando até seis pessoas. Porém, também existem quartos para casais e famílias. Sendo assim, os hostellers devem aprender a dividir espaço e compartilhar, inclusive cozinhas coletivas. “A preocupação com a coletividade é muito grande e o respeito a algumas normas, como não fazer barulho após as 22h, é fundamental”, explica Karla.

Os hostels são voltados a pessoas de todas as idades, sejam elas estudantes ou não. No Brasil, a maioria dos turistas que se hospeda é de estrangeiros. Os brasileiros também procuram os estabelecimentos dentro e fora do País, mas só nos últimos anos o costume começou a se propagar com maior velocidade.

Hosteller

A arquiteta Daniela Milan Souza, de 29 anos, que mora em São Paulo, já ficou em hostels no Brasil e no exterior. No último fim de semana, ela se hospedou no hostel Roma. “A vantagem de ficar em hostels é que a gente faz contato com pessoas do mundo inteiro, o que geralmente não é possível em hotéis. Em função do costume, mantenho amigos no Canadá e na Espanha”, conta. “Não me importo em dividir espaço.”