Milhares de mudas de amor-perfeito nas cores branca, amarela e azul estão sendo preparadas no Horto Municipal do Guabirotuba para se transformarem numa enorme e inusitada bandeira do Brasil. Ela estará no canteiro central do Jardim Botânico de Curitiba no mês de julho, durante as férias de inverno, antecipando as comemorações da Copa do Mundo de 2014.

A novidade faz parte do plano elaborado para tornar a cidade ainda mais bela e colorida neste inverno. Flores de quatro espécies já começaram a sair do horto para decorar a cidade na próxima estação. São cravinas, bocas-de-leão, amores-perfeitos e petúnias, em tons que passam pelo pink, amarelo, laranja, sortido, azul e branco e que aos poucos vão substituindo as espécies de verão.

Produzidas pelo Horto Municipal, as flores de inverno estarão em canteiros de parques, bosques, praças, avenidas e outros espaços públicos da cidade, onde irão permanecer até o mês de novembro. No total, Curitiba tem 1,5 milhão de flores plantadas. A produção mensal atual do Horto Municipal é de 500 mil mudas.

O Jardim Botânico é o local da cidade que concentra o maior número de flores. “Há  150 mil unidades, substituídas a cada três meses”, conta o diretor do departamento de Produção Vegetal da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, José Roberto Roloff.

Linha de produção

Para produzir seis milhões de mudas de flores a cada ano, os 70 funcionários que atuam no Horto Municipal do Guabirotuba contam com a preciosa ajuda da tecnologia. “Há dois anos usamos uma máquina que nos permite fazer a semeadura de 280 mudas em menos de um minuto”, exemplifica Roloff.

“Este mesmo processo levava mais de uma hora quando era feito de forma manual”, conta o auxiliar de produção Lourival (Mineiro) Ribeiro dos Santos, que trabalha no Horto há 30 anos. Apaixonado pelo o que faz, ele diz que nem pensa em parar de trabalhar.

“Tenho muito orgulho quando ouço turistas dizendo que a cidade está bonita por causa das flores”, diz. “Todos os dias passo de ônibus pela Avenida das Torres, que está sempre bem florida, e conto pra todo mundo que faço parte da equipe que produz aquelas flores”, afirma Mineiro.

Antes de chegarem às ruas, elas passam por várias etapas, numa verdadeira linha de produção. Mineiro explica que, após a semeadura, as mudas são levadas para uma câmara de germinação, local frio e úmido onde permanecem por cerca de quatro dias. Em seguida, são transferidas para a estufa de desenvolvimento, onde ficam protegidas do frio, chuva ou ventos durante o período médio de um mês.

A próxima etapa é a sala de repicagem, onde as mudas são transplantadas para as bandejas definitivas. No final do ano passado, este setor ganhou uma importante ajuda tecnológica, com a aquisição de uma máquina que automatizou o processo. “Com ela ganhamos tempo, otimizamos a mão de obra e aumentamos a eficácia”, diz Roloff.  “Isso nos permitiu dobrar a produção mensal”, explica.

O diretor informa que, com apenas dez pessoas atuando, a máquina de repicagem permite a produção máxima de 60 mil mudas num único dia. “Isso era uma meta impossível pouco tempo atrás”, diz.